Maioria acredita que aumento de tarifas de Trump favorece Flávio, revela pesquisa do Datafolha

No último artigo escrito pelo presidente Lula e publicado no The Washington Post, ele abordou a decisão de Donald Trump, que há um ano impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, citando Jair Bolsonaro. Para Lula, a motivação política por trás dessa medida era evidente.

Após um ano, Trump anunciou novas tarifas, e uma pesquisa do Datafolha indica que a maior parte da população brasileira compartilha a visão de Lula: as tarifas comerciais impostas aos produtos do Brasil têm como objetivo interferir na política interna e nas eleições brasileiras.

A pesquisa mais recente buscou avaliar se os eleitores percebem as ações de Trump como benéficas para a candidatura ao Planalto do senador Flávio Bolsonaro (PL), conhecido como filho 01.

De acordo com o levantamento realizado neste domingo (26), 52% dos participantes acreditam que o governo Trump está agindo para favorecer Flávio, enquanto 37% discordam dessa ideia e 11% não souberam opinar.

Entre os apoiadores de Lula (PT), impressionantes 73% acreditam que Trump está contribuindo para a candidatura de Flávio. Em contraposição, apenas 29% dos eleitores do senador veem essa possibilidade.

Conforme os dados do Datafolha, 63% dos entrevistados estão cientes do aumento das tarifas americanas contra o Brasil. Dentre esse grupo, aproximadamente 34% afirmaram estar razoavelmente informados; 25% disseram estar bem informados; e 5% se consideraram mal informados. Os restantes 37% não estavam cientes da situação.

O estudo também analisou a percepção do eleitorado sobre a troca de acusações entre Lula e Flávio. A pergunta formulada foi: “Lula afirma que Flávio Bolsonaro incentivou os Estados Unidos a agir contra o Brasil; Flávio responde que Lula falhou nas negociações. Na sua opinião, quem está mais correto nessa discussão?”

A maioria dos entrevistados atribuiu razão a Lula: 34% defendem que o presidente está correto ao apontar Flávio como responsável pelo tarifaço por estar em conluio com os EUA. Por outro lado, 26% apoiam o senador; 11% acreditam que ambos são culpados; 24% acham que nenhum deles é culpado; e 6% preferiram não responder.

Leia mais: “Sem interferência externa, nem subserviência”, Lula defende o Brasil no The Washington Post

Ao analisar quem é visto como o principal culpado pelas tarifas, Lula aparece como o mais mencionado com 35%, sendo considerado um “para-raios” para problemas da República, mesmo aqueles provocados por opositores. Trump é citado por 28%, seguido por Flávio com 13%, e Eduardo Bolsonaro, outro participante da campanha considerada lesiva ao país, com 10%. Somando esses três nomes em oposição a Lula, chega-se a uma cifra expressiva de 51%.

Além disso, quando questionados sobre a atuação do governo Lula nas negociações, 51% afirmaram que ele fez menos do que o necessário. Por outro lado, 29% acreditam que o governo agiu corretamente; apenas 12% acham que fez mais do que deveria; enquanto 7% não souberam responder e 1% trouxe outras opiniões.

A pesquisa revelou ainda que uma grande maioria (74%) acredita que o Brasil deve buscar negociar para persuadir o presidente dos EUA a reverter sua decisão. Essa é a linha oficial da diplomacia brasileira, apesar de haver possibilidades de retaliação. Outros 17% defendem uma retaliação direta com taxas equivalentes como solução ideal. Apenas 2% acham que o país deve aceitar todas as exigências dos EUA e 6% não sabem qual seria a melhor abordagem.

A pesquisa Datafolha foi realizada entre os dias 22 e 23 de julho com um total de 2.004 pessoas acima de 16 anos em 139 cidades brasileiras. O levantamento possui uma margem de erro de 2 pontos percentuais e um nível de confiança de 95%, estando registrado no TSE sob o código BR-01166/2026.

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By Aconteceu de Fato

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