Estudo revela diminuição de jovens candidatas negras nas eleições de 2026

O aumento da participação das mulheres nas eleições de 2026 não se reflete no grupo dos candidatos mais jovens. Embora as mulheres tenham atingido 34,9% das candidaturas em geral, um recorde histórico, entre os postulantes com até 29 anos, a porcentagem caiu de 49,1% em 2022 para 40,5% neste ano. A queda é ainda mais acentuada entre as mulheres negras, cuja presença diminuiu de 28,7% para 21,3% nesse mesmo período.

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Os dados são provenientes do Monitor Jovem DX, uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Democracia em Xeque em colaboração com o Núcleo de Pesquisas em Psicologia Política e Movimentos Sociais (Nupmos) da PUC-SP, com o apoio da Fundação Heinrich Böll Brasil. O estudo analisou informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) coletadas em 3 de setembro e identificou um total de 912 candidaturas de indivíduos com até 29 anos para cargos de deputado estadual e federal.

A comparação com o passado recente evidencia a gravidade dessa mudança. Entre os anos de 2014 e 2022, a proporção de mulheres eleitas na faixa etária jovem aumentou de 9,4% para 37,5%. Para as mulheres negras, essa taxa passou de zero para 14,6%. Contudo, essa evolução não eliminou a desigualdade racial: em 2022, os candidatos brancos representavam 68,8% dos jovens eleitos e somente os homens brancos formavam 45,8% desse total.

Agora, antes mesmo da apuração dos votos, a configuração das candidaturas sugere uma pausa nessa trajetória rumo à diversificação.

A direita foca nos jovens

A diminuição da participação feminina ocorre paralelamente ao fortalecimento da direita na disputa pelo eleitorado jovem, especialmente entre os homens. A pesquisa revela que em 2022 as mulheres correspondiam a 51% das candidaturas juvenis à esquerda e a 48,3% à direita. Em contraste, esses números caíram para 46,7% e 37,5%, respectivamente, em 2026.

Essa tendência é ainda mais clara quando analisada sob o prisma racial. A participação dos homens brancos cresceu de 26,2% para 30,8%, consolidando-se como o maior grupo entre os candidatos jovens. Já entre os homens negros houve um aumento de participação de 23,9% para 28%. No entanto, as mulheres enfrentaram uma queda tanto entre as negras —de 28,7% para 21,3%— quanto entre as brancas —de 19,8% para 18,1%.

Esse cenário resulta em um perfil mais masculino entre os jovens que se apresentam às urnas. Além disso, a competição por esse eleitorado mudou significativamente; a pesquisa indica que tanto a direita quanto a extrema direita ganharam terreno entre os jovens candidatos, rompendo com a predominância que a esquerda havia desfrutado anteriormente.

A análise não permite atribuir uma única causa à diminuição da participação feminina. Porém revela uma mudança significativa no perfil daqueles que conseguem concorrer: enquanto a presença feminina avança lentamente no conjunto das candidaturas gerais, ela recua entre os jovens exatamente após três eleições que se aproximaram da paridade.

Mulheres negras enfrentam obstáculos maiores

A queda é ainda mais alarmante quando se observa especificamente as mulheres negras. Nos últimos quatro anos elas viram sua representação cair em impressionantes 7,4 pontos percentuais entre os candidatos jovens; enquanto isso, os homens brancos cresceram suas candidaturas em 4,6 pontos. Essa diferença vai além do aspecto numérico: ela ressalta como gênero e raça continuam influenciando desigualmente o acesso à política.

O levantamento também destaca barreiras que impactam diretamente as jovens candidatas, incluindo precariedade no trabalho, obrigações familiares excessivas e violência de gênero. Esses desafios tornam-se ainda mais complicados para as mulheres negras que já partem de posições menos favorecidas nos círculos de poder.

A violência transcende o período eleitoral e afeta diretamente a capacidade das mulheres ocuparem espaços públicos. Em uma análise recente sobre a participação feminina na política brasileira,a secretária nacional da Mulher do PCdoB enfatizou como o ambiente hostil influencia negativamente a vida cotidiana dessas mulheres.

Ao abordar a violência política relacionada ao gênero, Flávia Calé sintetizou bem o problema: “Você não fica em paz em lugar nenhum.” Essa afirmação ajuda a ilustrar um obstáculo que não está claramente refletido nas estatísticas eleitorais mas pode impactar decisivamente na escolha de concorrer às eleições e na permanência no cenário político.

A dirigente também observou como práticas misóginas têm sido mobilizadas politicamente e transformadas em conteúdo lucrativo nas plataformas digitais: “O ódio às mulheres vira um instrumento de nicho eleitoral e monetização”, declarou.

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O panorama apresentado pelo Monitor Jovem DX confirma essas preocupações. Enquanto homens aumentam sua representação nas candidaturas até os 29 anos , as mulheres enfrentam retrocessos significativos — especialmente as negras.

A juventude ainda tem espaço restrito na política

A perda na diversidade ocorre dentro de um contexto mais amplo onde há sub-representação geracional. As 912 candidaturas de indivíduos com menos de 29 anos representam apenas 4,7% do total registrado para o Legislativo em 2026. Por outro lado, pessoas com idades entre16 e29 anos constituem cerca de21.55%dos eleitores.

A discrepância entre esses dados evidencia que a juventude continua tendo uma participação muito inferior nas disputas eleitorais comparada ao seu peso no eleitorado.Dentro desse grupo já escasso ,a composição para2026 é menos feminina e racialmente diversa.

Esse retrato é preliminar já que as informações analisadas pelo Monitor Jovem DX podem ser alteradas durante o processo eleitoral.O entanto,se essa situação se confirmar,a eleição de2026 poderá marcar uma interrupção na tendência que vinha aproximando os jovens da paridade de gênero,e ampliando lentamentea presença das mulheres negras na política institucional.

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By Aconteceu de Fato

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