O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou uma ação civil pública contra o influenciador digital Leonardo Marcondes, conhecido como Léo Marcondes. A ação foi motivada por um vídeo em que ele faz declarações consideradas discriminatórias em relação a pessoas em situação de vulnerabilidade econômica.
Entre os pedidos encaminhados à Justiça estão a remoção do perfil de Marcondes no Instagram, onde possui mais de 1,3 milhão de seguidores, além da exigência de R$ 300 mil por danos morais coletivos e sociais. Também é solicitada a proibição de novos conteúdos que incentivem a discriminação contra indivíduos de baixa renda.
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O MP argumenta que os comentários feitos por Marcondes configuram discurso de ódio, ultrapassando os limites da liberdade de expressão ao sugerir a exclusão das pessoas economicamente desfavorecidas do processo democrático. O vídeo que motivou a ação contém questionamentos sobre a legitimidade do voto para essa parte da população.
No conteúdo, ele afirma: “Já parou para pensar que pessoas pobres não deveriam ter direito ao voto? Pense comigo. Se alguém é pobre, é porque não fez boas escolhas para si e sua família. Agora essa pessoa vai decidir o que é melhor para o país?”.
Marcondes prossegue dizendo: “Qual é a capacidade dessa pessoa para tomar decisões? Nenhuma. Essa pessoa não deveria votar. Um país ou uma empresa não pode ser guiado por alguém que não consegue se responsabilizar nem por suas próprias ações. Imagine como seria melhor o mundo se os pobres não votassem, se as decisões estivessem nas mãos dos ricos até que os pobres conseguissem enriquecer”.
A Promotoria considera essas declarações como “aporofobia”, um termo que descreve aversão ou discriminação contra indivíduos em situação financeira precária. O órgão defende que essas falas incentivam a exclusão social e política desse grupo específico.
Além disso, os promotores ressaltam que o vídeo em questão não é um caso isolado. Documentos do processo indicam outras postagens do influenciador com afirmações semelhantes, como alegações de que pessoas pobres “não deveriam ter o direito de fazer sexo” e “são preguiçosas porque não querem trabalhar nos feriados,” entre outros comentários considerados ofensivos.
Para o Ministério Público, tais publicações refletem um padrão contínuo de hostilidade direcionada a uma fração da população, buscando afastá-los da participação política.
A ação judicial ainda destaca que a continuidade desses conteúdos nas redes sociais intensifica os efeitos negativos das falas, pois os vídeos permanecem disponíveis para visualização e compartilhamento. Por essa razão, a Promotoria pede uma medida urgente para remover tanto o vídeo quanto todo o perfil de Léo Marcondes no Instagram.
Sem qualificação para ministrar cursos, palestras e mentorias
Outro ponto abordado na ação diz respeito às atividades profissionais promovidas pelo influenciador. O Ministério Público aponta que Marcondes oferece cursos, palestras e mentorias mesmo tendo declarado em depoimento ao órgão que não possui formação superior.
Durante sua declaração, registrada nos autos do processo, ele afirmou: “Não sou formado. Fiz oito semestres em administração em oito faculdades diferentes”.
Os promotores sustentam que ele carece das credenciais necessárias para oferecer esses serviços e utiliza sua notoriedade nas redes sociais como ferramenta para atrair consumidores interessados nesse tipo de oferta.
A defesa de Leonardo Marcondes foi contatada e declarou por meio de nota que ainda não recebeu notificação oficial sobre o processo e não teve acesso aos documentos pertinentes. Segundo seus advogados, qualquer resposta será dada somente após uma notificação formal.
O Ministério Público também ressalta que a indenização pleiteada tem caráter punitivo, educativo e preventivo, com o intuito de desestimular práticas semelhantes no futuro.
Quem é Léo Marcondes
Léo Marcondes se posiciona como treinador financeiro nas mídias sociais. Ele atua como coach, palestrante e empresário, criando conteúdos voltados ao desenvolvimento pessoal, empreendedorismo e educação financeira.
Em sua apresentação oficial, menciona ser ex-atleta profissional de vôlei e fundador da Escola NPAC, uma empresa focada na venda de cursos, mentorias e eventos relacionados à ideia de “liberdade financeira”.
