TRE determina a remoção de live de Paulo Figueiredo por ofensas misóginas

Após uma série de declarações polêmicas, Paulo Figueiredo enfrenta agora uma decisão da Justiça Eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) determinou, em um despacho publicado neste domingo (2), que o influenciador exclua do ar os trechos de sua live onde reproduz e apoia ofensas direcionadas à deputada Maria do Rosário (PT-RS). A decisão conclui que esse conteúdo faz parte de uma “estratégia de comunicação baseada em ataques pessoais a mulheres na política”.

A ordem foi emitida pela desembargadora Vânia Heck de Almeida, que atendeu parcialmente a um pedido da Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV). Além da remoção dos trechos ofensivos, a magistrada estipulou uma multa diária de R$ 5 mil caso haja descumprimento e instruiu a Google a manter uma cópia da transmissão original.

O aspecto mais relevante dessa decisão não reside apenas na exigência de eliminação do vídeo, mas sim em sua fundamentação. Ao avaliar a live, a desembargadora destacou que Figueiredo não apenas relembrava um episódio anterior envolvendo Jair Bolsonaro, mas se apropriava das declarações para repetir as ofensas e trivializar a violência sexual como forma de desmerecer uma mulher que busca espaço na política. Segundo ela, o influenciador utilizou apelidos pejorativos e normalizou a violência sexual como um meio de escárnio.

A decisão registra: “O representado se apropria diretamente do conteúdo e o endossa em voz própria, dirigindo à pré-candidata apelido depreciativo e banalizando a violência sexual como instrumento de escárnio”. Para a desembargadora, esses comentários ultrapassam o limite da crítica política ou do debate saudável, tornando-se parte de uma narrativa que ataca pessoalmente mulheres.

Padrão de hostilidade

Esse posicionamento do TRE-RS surge após repetidas declarações de Paulo Figueiredo nas quais ele recorre à misoginia como ferramenta comunicativa. Em julho, ele declarou que Bolsonaro “dizia o que todo mundo pensava” ao se referir à declaração sobre Maria do Rosário e sugeriu que tal episódio deveria fazer parte dos “melhores momentos” do ex-presidente. Na mesma live, fez chacota das ameaças de estupro contra a deputada Jandira Feghali, que já anunciou ações judiciais contra ele. Poucos dias depois, voltou a atacar Miriam Leitão com insinuações sobre prostituição caso ela deixasse seu trabalho na Globo, provocando indignação da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

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A sequência desses incidentes explica por que a resolução do TRE-RS vai além da simples retirada do vídeo específico. Ao afirmar que as falas fazem parte de uma estratégia comunicativa focada em ataques às mulheres, a Justiça amplia o debate para incluir questões relacionadas à violência política de gênero.

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By Aconteceu de Fato

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