Nesta segunda-feira (17), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou uma ameaça de bombardear Omã se o país interferir nas intenções de Washington em relação ao Estreito de Ormuz.
A declaração surgiu após o Irã ter revelado um acordo com Mascate sobre uma nova rota para a movimentação de embarcações na passagem marítima.
Em uma entrevista por telefone à Fox News, Trump comentou: “Se Omã entrar no caminho, vamos bombardear a m… deles”, ao ser indagado sobre o papel do país nas negociações entre o Irã e Ormuz.
Essa advertência é dirigida a um estado que possui laços sólidos com os EUA e que, há décadas, atua como mediador nas relações entre Washington e Teerã.
Antes dessa declaração, o ministério das Relações Exteriores do Irã havia anunciado que Teerã e Omã chegaram a um entendimento sobre um mapa para a passagem de navios pelo estreito.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, confirmou: “Foi alcançado um entendimento sobre o mapa da rota de trânsito”.
As duas nações continuam a trabalhar nos detalhes finais desse acordo. Segundo Baqaei, o objetivo é formalizar um pacote que inclui tanto o mapa da rota quanto uma declaração conjunta.
Informações anteriores sugerem que a proposta consiste em permitir que os navios ingressem por uma rota adjacente à costa iraniana e saiam pelo lado omanense. Durante um período provisório, as embarcações poderiam atravessar Ormuz sem incorrer em taxas ou pedágios.
EUA intensificam controle sobre a navegação
O Estreito de Ormuz tem sido o epicentro do conflito entre os Estados Unidos e o Irã desde o início das hostilidades em 28 de fevereiro. Antes do início da guerra, cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito comercializados globalmente transitavam por essa rota.
Washington mantém um bloqueio naval direcionado aos portos e embarcações iranianas e condiciona sua suspensão a um entendimento sobre a navegação no estreito.
Por outro lado, Teerã reivindica uma participação na administração da passagem marítima e exige para chegar a uma solução definitiva o fim do bloqueio, a retirada das forças americanas da região e reparações pelos danos causados pela guerra.
O memorando assinado entre Washington e Teerã em 17 de junho previa a normalização do tráfego por Ormuz. Entretanto, esse acordo desmoronou semanas depois devido à intensificação dos ataques norte-americanos contra o Irã e das ações iranianas contra embarcações e instalações militares dos EUA na área.
A data limite de 60 dias estipulada para as negociações expirou nesta segunda-feira sem que houvesse um acordo para encerrar as hostilidades. Teerã alegou que esse prazo perdeu validade devido às violações do memorando por parte dos Estados Unidos.
A negociação entre Irã e Omã criou uma nova frente para tentar estabelecer regras para o trânsito marítimo sem depender previamente de um entendimento entre Teerã e Washington.
Trump solicita “rendição” do Irã
<pDurante a mesma entrevista, Trump reiterou sua pressão sobre o governo iraniano, afirmando que Teerã deveria levantar uma “bandeira branca de rendição”.
<p“O Irã é bom em blefar no pôquer, mas está à beira da ruína”, disse Trump ao comentar que o bloqueio naval estaria aumentando a pressão sobre o país persa.
O presidente também indicou que não estabeleceu prazos para o término do conflito e negou qualquer relação entre sua estratégia militar e as eleições legislativas nos EUA. “Não estou apressado. As eleições de meio de mandato não têm nada a ver com minha abordagem”, garantiu.
Além disso, Trump revelou que Washington mantém um canal direto com membros da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC). “Estamos em comunicação direta com autoridades da Guarda Revolucionária no Irã”, afirmou.
A declaração foi feita três dias após Trump ameaçar anexar o Estreito de Ormuz aos Estados Unidos. Na sexta-feira (14), ele declarou que após “derrotar o Irã”, anunciaria que a passagem marítima seria território americano “muito em breve”.
