Trump exige reparação do Irã, complicando ainda mais as tratativas diplomáticas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, introduziu uma nova condição nas discussões com o Irã, o que torna a possibilidade de um acordo para pôr fim ao conflito e restaurar a navegação no Estreito de Ormuz ainda mais remota.

Em declarações feitas nesta segunda-feira (10), Trump destacou que o governo iraniano deve pagar compensações por mortes e danos que, segundo ele, são atribuídos ao país nos últimos 50 anos. Essa exigência não havia sido mencionada anteriormente nas negociações e foi apresentada em resposta às condições que Teerã havia imposto para um eventual entendimento.

“Se há indenizações a serem pagas, acredito que o Irã deveria arcar com essas responsabilidades”, afirmou Trump durante uma coletiva na Casa Branca.

A troca de demandas ocorre em um momento em que o Irã anunciava avanços nas conversas mediadas por Omã sobre o Estreito de Ormuz. Este estreito, pelo qual transitava cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito comercializados globalmente antes do início da guerra, permanece bloqueado desde fevereiro.

O governo iraniano condiciona a reabertura da passagem ao levantamento das sanções e das ameaças militares dos EUA, além do pagamento de reparações pelos danos causados pela guerra. Essas reivindicações estão amplamente alinhadas aos termos de um acordo preliminar estabelecido entre Washington e Teerã em junho, que posteriormente foi rompido.

Trump também utilizou sua plataforma na Truth Social para reafirmar sua exigência por compensações do Irã relacionadas às mortes de soldados americanos em diferentes conflitos no Oriente Médio, às “vítimas da repressão interna” no país e aos danos causados em lugares como Líbano, Síria, Iémen e Gaza.

“Agora também estou solicitando uma compensação do Irã por todas as vidas que eles tiraram e pelas pessoas gravemente feridas devido às suas bombas caseiras e em diversos conflitos”, registrou Trump.

Ele mencionou o atentado contra o destróier USS Cole, que resultou na morte de 17 marinheiros norte-americanos no Iémen em outubro de 2000; no entanto, esse ataque foi realizado pela Al-Qaeda, não pelo Irã.

Adicionalmente, Trump declarou que Teerã deveria indenizar as famílias de “centenas de milhares de manifestantes inocentes” supostamente mortos pelo regime iraniano nos últimos 50 anos, citando 52 mil mortos apenas nos últimos cinco meses.

Esse número apresentado pelo presidente americano é significativamente superior às estimativas feitas por organizações internacionais críticas ao governo iraniano.

Negociação por Ormuz perde força

A introdução dessas novas exigências pode acirrar ainda mais o impasse sobre Ormuz exatamente quando Teerã anunciava progressos nas negociações.

<p Nesta segunda-feira, Esmaeil Baghaei, porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã, informou que as tratativas com Omã estavam se desenvolvendo de forma “tranquila e construtiva”.

Ele destacou que já existia um entendimento quanto ao mapeamento das rotas marítimas, restando apenas questões técnicas a serem resolvidas.

O Irã também defende a cobrança por certos serviços relacionados à navegação, como segurança marítima e proteção ambiental. No entanto, Washington rejeita qualquer possibilidade de um acordo que permita a Teerã cobrar pelo trânsito através do estreito.

A ofensiva militar dos Estados Unidos não conseguiu alterar essa realidade. Após meses de ataques — incluindo uma intensa campanha de bombardeios em julho — Washington não obteve êxito em romper o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.

Nesta segunda-feira, Trump reiterou que a Marinha americana controla a passagem e garantiu que o estreito está aberto. Contudo, a realidade contradiz essa afirmação: navios comerciais continuam enfrentando restrições para navegar na área e o bloqueio mantém pressão sobre o mercado global de energia.

A guerra pesa sobre Trump

A intensificação das exigências surge em um período de crescente pressão interna sobre Trump para encontrar uma solução para a guerra.

Os Estados Unidos e o Irã haviam acordado um cessar-fogo em junho; entretanto, em julho, Washington reinstituiu bloqueios à navegação iraniana — uma ação considerada por Teerã como uma violação da trégua.

Em resposta, o Irã lançou ataques com mísseis e drones contra aliados dos EUA na região e continuou impondo restrições à navegação no Ormuz.

Diante disso, desde fevereiro Trump alterna entre ameaças de novas ações militares e declarações otimistas sobre a proximidade de um acordo. Contudo, até agora as diversas rodadas de negociações não resultaram em uma solução definitiva.

A continuidade da guerra também começa a ter repercussões políticas nos Estados Unidos. O aumento nos preços do petróleo pressiona os custos dos combustíveis e contribui para a inflação às vésperas das eleições legislativas marcadas para novembro, quando os republicanos buscam manter sua influência no Congresso.

By Aconteceu de Fato

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