Delcy Rodríguez, a presidenta interina da Venezuela, anunciou neste domingo (30) um novo acordo de 25 anos com os Estados Unidos, visando aumentar a produção de petróleo no país. Ela destacou que essa iniciativa irá integrar as reservas e a infraestrutura venezuelanas com investimentos e tecnologia dos EUA.
Em seu discurso à população, Delcy enfatizou a necessidade de transformar as vastas reservas petrolíferas da Venezuela — as maiores do mundo — em produção efetiva, criando empregos, infraestrutura e serviços públicos. Segundo ela, o país manterá sua soberania e propriedade sobre os recursos naturais.
“Ter recursos subjugados não é suficiente”, afirmou. “Precisamos de investimentos, tecnologia e infraestrutura para converter essa riqueza em benefícios para nossa população.”
O acordo inclui o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com uma meta ambiciosa de produção superior a 1,5 milhão de barris por dia. Delcy estimou que, se o preço do petróleo atingir US$65 por barril, o governo venezuelano poderá arrecadar cerca de US$209,3 bilhões ao longo do período do projeto — uma projeção feita pela administração atual.
<pAlém disso, ela revelou que os contratos para oito novos blocos na Faixa Petrolífera do Orinoco estabelecerão royalties mínimos de 16% e um Imposto de Renda fixado em 34%. Delcy fez uma comparação com a abertura petrolífera de aproximadamente 30 anos atrás, quando os royalties para quatro blocos eram apenas 1%.
Este acordo foi formalizado oito meses após a captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores em Caracas pelas autoridades americanas. Ambos foram levados para Nova York enfrentando acusações feitas pelos EUA e continuam sob custódia norte-americana enquanto Delcy Rodríguez assume interinamente a presidência do país.
A operação se soma às sanções impostas ao país nos últimos dez anos, que restringiram as vendas de petróleo venezuelano e dificultaram o acesso a crédito e tecnologia para a indústria local.
Os Estados Unidos mantêm diversos instrumentos para pressionar Caracas, incluindo restrições em licenças e bloqueio de transações comerciais. O governo venezuelano está negociando a recuperação do setor petrolífero sob essa pressão constante.
No dia seguinte ao anúncio do acordo, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) divulgou um comunicado em apoio à condução da presidenta interina. O partido afirmou que as estratégias para recuperar a produção devem priorizar os interesses nacionais e ajudar na superação das consequências das “mais de uma década” de sanções econômicas e bloqueios injustos.
A nota também relacionou a revitalização da atividade petrolífera à reativação econômica, geração de empregos e melhorias nos serviços públicos. O partido ressaltou ainda a necessidade de atender as comunidades afetadas pelo terremoto duplo ocorrido em junho.
A liderança do PSUV declarou sua intenção de colocar as reservas hidrocarburíferas “a serviço do desenvolvimento nacional” e destacou que será fundamental manter a unidade política interna para garantir que os benefícios desse processo sejam revertidos ao povo venezuelano.
