Atuar profissionalmente na área da comunicação envolve desafios estruturais que atingem jovens em diferentes regiões do país, independentemente do nível de formação. No interior da Bahia, em Jaguaquara, a trajetória de Davi Pesan se destaca pela forma como vem construindo espaço e visibilidade em um mercado historicamente concentrado e desafiador.
Davi atua em diferentes frentes ligadas à comunicação e ao audiovisual, como reportagem, produção de vídeos, marketing e criação de conteúdo digital. Paralelamente, segue em formação na área de atuação como ator. Atualmente, ele é assessorado pela Agência Cintra, empresa reconhecida no mercado artístico nacional por agenciar profissionais presentes em produções de grande alcance, como novelas, séries e projetos exibidos por emissoras como Globo, Netflix, Record e SBT, além de campanhas publicitárias de abrangência nacional.
Ao longo desse percurso, um fator se apresenta como desafio constante: a gagueira. Presente desde a infância, a condição ainda é um dos principais motivos de exclusão em áreas que exigem exposição pública e comunicação oral. Mesmo sem relação direta com capacidade técnica ou intelectual, pessoas que gaguejam seguem enfrentando preconceito, descrédito e limitações impostas por critérios subjetivos do mercado.
Desde a fase escolar até a vida profissional, a gagueira costuma vir acompanhada de interrupções, constrangimentos e tentativas de silenciamento, impactando diretamente a autoestima e as escolhas de carreira. Muitos acabam abandonando o desejo de atuar em áreas ligadas à comunicação antes mesmo de tentar, diante do receio da rejeição e da falta de referências positivas.
A experiência de Davi Pesan contraria essa lógica ao demonstrar que comunicar não se resume à fluidez da fala. Sua atuação reforça que a comunicação envolve conteúdo, escuta, sensibilidade, técnica e compromisso com a informação, aspectos que não dependem de um padrão único de oralidade.
Apesar de avanços pontuais no debate sobre diversidade e inclusão, a gagueira ainda permanece à margem das políticas institucionais e das discussões públicas sobre acessibilidade no mercado de trabalho. A baixa representatividade e a escassez de informação contribuem para a manutenção de estigmas que seguem influenciando processos seletivos e relações profissionais.
A exclusão de pessoas que gaguejam revela uma falha estrutural na forma como a sociedade define competência e comunicação. Enquanto a fala não fluente continuar sendo tratada como limitação, e não como diferença, talentos seguirão sendo invisibilizados. Ao construir sua trajetória na comunicação e no audiovisual, com o suporte de uma agência inserida em grandes produções nacionais, Davi Pesan transforma a própria experiência em sinal de que é possível ocupar espaços, ampliar vozes e reafirmar que a diversidade na comunicação não é concessão, mas necessidade.
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