Na terça-feira (17), foi expedido um alvará de soltura. A prisão temporária de Salazar, acusado de fraudar bombas em postos de combustíveis, expiraria nesta quarta
A Justiça autorizou a liberação de Cleber Onésio Alves Salazar, que estava detido desde a semana passada, sob suspeita de envolvimento em fraudes relacionadas às bombas de combustíveis. A decisão foi proferida pelo juiz substituto Carlos Augusto de Mello no final da tarde de terça-feira. No despacho, o magistrado avaliou que não existem evidências nos autos que sugiram a participação de Salazar nas investigações, tornando desnecessária a manutenção da prisão temporária.
A detenção inicial de Salazar, que deveria durar cinco dias, foi estendida por mais cinco na semana passada a pedido do Ministério Público do Paraná (MP-PR). O primeiro habeas corpus apresentado por ele havia sido recusado pelo mesmo juiz. Com o fim da prisão temporária previsto para a noite de quarta-feira (18), o MP-PR ainda considerava a possibilidade de solicitar uma prisão preventiva.
Habeas corpus
O juiz argumentou que o não-renovação do alvará da empresa Power Bombas, pertencente a Salazar, indicava que ele não poderia mais oferecer serviços aos postos ou modificar as bombas já fiscalizadas caso fosse libertado. Mello ressaltou que o MP-PR e a polícia poderiam ter pedido a prisão do sócio ou dos operários da empresa, uma vez que outros indivíduos também estavam envolvidos na manutenção das bombas.
No despacho, Mello também observou que as inovações tecnológicas mencionadas na suposta fraude não justificam a prorrogação da prisão. “Os fiscais já têm conhecimento sobre como a fraude era realizada e já realizaram as fiscalizações necessárias nos postos atendidos pela empresa do indiciado”, destacou o juiz. Ele também concluiu que, com as ações já realizadas e as quebras de sigilo bancário e telefônico decretadas, Salazar não teria como interferir nas investigações em andamento.
Além disso, o juiz declarou que se surgirem novos elementos que justifiquem uma nova prisão ou medidas cautelares contra Salazar, tais ações poderão ser tomadas a qualquer momento.
Caso
A Power Bombas, empresa de Salazar, está sob investigação por fraudes em postos de combustíveis utilizando um dispositivo eletrônico. Nesse esquema, os consumidores recebiam menos combustível do que o indicado na bomba, resultando em prejuízos financeiros. A prefeitura de Curitiba não renovou o alvará de funcionamento da Power Bombas.
Dentre os 44 postos fiscalizados em Curitiba e região, foram identificados lacres rompidos nas placas das bombas em doze deles; todos clientes da Power Bombas. Duas placas foram retiradas para análise adicional. O Instituto de Pesos e Medidas do Paraná (Ipem-PR) divulgou esses dados na manhã desta terça-feira (17).
A violação dos lacres é um sinal indicativo da possível ocorrência de fraude nos postos. Neste esquema fraudulento, os consumidores acabariam recebendo menos combustível do que o registrado na bomba.
Donos de postos são ouvidos
No dia 16 de janeiro, um dos proprietários interrogados pela Delegacia do Consumidor (Delcon) em Curitiba negou envolvimento no esquema fraudulento revelado pelo programa Fantástico da TV Globo em 8 de janeiro. Contudo, segundo informações do delegado titular da Delcon, Jairo Estorílio, Ângelo Albuquerque Gobbo, dono dos postos Arrancadão e Jockey, admitiu que pagava cerca de R$ 400 mensais para Cléber Salazar pela manutenção das bombas.
