O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu a concessão de residência permanente nos Estados Unidos, conhecida como green card. Essa informação foi divulgada inicialmente pela Folha de S.Paulo e confirmada pela CNN Brasil nesta segunda-feira (20). Com essa autorização, Eduardo pode viver e trabalhar indefinidamente em solo americano.
A concessão do green card solidifica sua situação migratória em um contexto no qual ele tenta evitar processos judiciais no Brasil, utilizando os Estados Unidos como uma plataforma para ataques frequentes à soberania nacional.
Desde fevereiro de 2025, Eduardo reside nos Estados Unidos. Após acumular ausências e sair da Câmara dos Deputados, seu mandato foi cassado no final de 2025. A ausência do passaporte diplomático fez com que a obtenção do visto permanente aumentasse sua proteção contra o sistema judiciário brasileiro, que enfrenta dificuldades em notificá-lo. Mandados de intimação emitidos contra ele retornaram sem cumprimento após a confirmação de sua residência no exterior.
Responsabilização criminal e articulações por sanções
A concessão do visto ocorre em meio à sua responsabilização penal no Brasil. Em 16 de junho de 2026, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de coação no curso do processo. O julgamento determinou também o pagamento de 50 dias-multa, inelegibilidade por oito anos após o cumprimento da pena e a perda do cargo público como escrivão da Polícia Federal.
A condenação se baseou em uma denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que provou que o ex-deputado pressionou repetidamente autoridades dos EUA para que adotassem sanções econômicas e políticas contra o Brasil. Essas ações tinham como objetivo influenciar as investigações e o julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por envolvimento em um golpe de Estado. As solicitações feitas por Eduardo incluíam a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e revogações de vistos para ministros do STF, além da aplicação das sanções previstas na Lei Magnitsky.
Refúgio para foragidos e desrespeito à soberania
No território americano, Eduardo Bolsonaro mantém contato com outros indivíduos que também estão sendo investigados ou condenados pelos eventos golpistas ocorridos em 8 de janeiro. Entre eles estão o ex-deputado Alexandre Ramagem e o blogueiro Allan dos Santos. Nas redes sociais, esse grupo chegou a zombar das autoridades brasileiras ao afirmar que “ainda estamos aqui”.
A estratégia política desse grupo visa desgastar as instituições democráticas brasileiras através da pressão internacional e promover um movimento pela anistia aos participantes da tentativa golpista. A concessão do green card fortalece essa rede de apoio e acrescenta-se a um histórico preocupante de interferências externas nos assuntos internos do Brasil, desrespeitando as decisões judiciais locais.
A ironia não passa despercebida. Em julho de 2019, diante do Palácio da Alvorada, Jair Bolsonaro comentava sobre a indicação do filho para ser embaixador nos EUA com a célebre frase: “Eduardo fala inglês, espanhol e frita hambúrguer também”. Agora, com o green card concedido pelo governo Trump, Eduardo tem permissão legal para retornar ao seu antigo emprego ou continuar exercendo seu papel como operador político da extrema direita americana contra os interesses brasileiros.
