Na última segunda-feira (24), durante uma sabatina promovida pelo portal UOL e pelo jornal Folha de S.Paulo, o candidato do PT ao governo paulista, Fernando Haddad, teceu duras críticas à administração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), vinculado ao bolsonarismo. Haddad defendeu que as discussões eleitorais devem ser fundamentadas em dados oficiais e não em suposições.
O ex-prefeito da capital e ex-ministro ressaltou a diminuição em setores essenciais, afirmando que os eleitores precisam ter acesso a informações concretas. “Devemos avaliar com base em dados, não no achismo”, declarou Haddad. Ele apontou a queda significativa na qualidade da educação estadual, mencionando que “a educação de São Paulo, que já liderou o ranking sob a gestão de Alckmin, caiu para a terceira posição durante o governo Doria e atualmente está em décimo lugar sob Tarcísio”. O candidato lembrou que 80% dos alunos do ensino médio estão matriculados na rede estadual e que “80% dos paulistas passarão por uma escola pública em algum momento de suas vidas”.
Além disso, tratou do cenário econômico com igual veemência. Citou um artigo publicado no mesmo dia pela Folha de S.Paulo, que revelou que os investimentos do governo atual estão aquém dos realizados anteriormente. “Quando se fala tanto sobre investimento, é preciso apresentar números, cidades e obras; somando tudo que foi feito até agora, é menos do que Doria conseguiu nos seus três primeiros anos”, alfinetou, referindo-se às declarações anteriores do governador.
O candidato petista indicou que a economia paulista “está estagnada”, com crescimento de apenas “0,4% ou 0,5%, enquanto a média nacional é de 2,3%”, conforme dados divulgados pelo Valor Econômico. Ele também abordou a situação crítica das finanças estaduais, ressaltando a deterioração da reserva orçamentária livre.
Revelar a realidade do estado
Haddad caracterizou esta eleição como um embate direto entre oposição e situação, especialmente após o apoio do centrão ao atual governador. “Eu sou o candidato da oposição e ele representa a situação. Não existe um terceiro nome com percentual suficiente para criar uma disputa mais ampla”, afirmou. Planeja usar os 50 dias restantes até a eleição para “mostrar aos eleitores paulistas a verdadeira condição do estado” e apresentar propostas alternativas, defendendo uma campanha “ética e sem notícias falsas”.
O candidato também respondeu às críticas frequentes sobre sua administração na prefeitura de São Paulo entre 2013 e 2016. Destacou seu legado como o prefeito que mais ampliou vagas na educação infantil na história da cidade — totalizando 101 mil novas vagas em creches — além de ter construído os últimos hospitais da capital (Parelheiros, Brasilândia e Santa Catarina).
Haddad argumentou que o Brasil ainda sente os efeitos das crises políticas entre 2013 e 2022 e enfatizou a necessidade de superar “o fantasma da extrema-direita”. “Estamos progredindo rumo à superação dessa situação complexa”, afirmou, sublinhando a importância de um debate democrático baseado em evidências.
Câmeras corporais sempre ligadas
<p Ao discutir segurança pública, criticou a falta de aplicação efetiva de tecnologia e inteligência nas polícias. Defendeu o uso de ferramentas analíticas para guiar as ações das polícias Civil e Militar, além do fortalecimento das investigações. Em relação ao uso de equipamentos para garantir transparência, Haddad se mostrou favorável ao funcionamento contínuo das câmeras corporais nos uniformes dos policiais para assegurar o cumprimento rigoroso dos protocolos estabelecidos.
Ainda nesse contexto, condenou a visibilidade das cenas relacionadas ao uso aberto de drogas na cidade e propôs um modelo integrado: combate rigoroso ao tráfico pelo Estado juntamente com serviços públicos adequados voltados à saúde mental oferecidos pelas prefeituras. Segundo ele, medidas como atendimento multiprofissional, ampliação da rede CAPS e programas para reintegração social são estratégias comprovadas para tratar dependência química.
Perguntado sobre questões envolvendo contratos de concessão e privatizações no estado — incluindo casos como Sabesp e transporte sobre trilhos — Haddad defendeu auditorias minuciosas em administrações futuras. Enfatizou que a prioridade deve ser garantir tarifas justas e qualidade no atendimento ao consumidor, buscando corrigir distorções nas agências reguladoras.
