A omissão de Trump sobre a vitória de Lula alimenta os ataques de sua base extremista

Até o final da tarde desta segunda-feira (26), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se destaca como um dos principais representantes da extrema direita global, ainda não havia feito uma declaração pública sobre a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

Enquanto isso, apoiadores de Trump começaram a propagar as mesmas alegações infundadas que foram disseminadas por Flávio Bolsonaro e seu grupo sobre o resultado das eleições. Elon Musk e Donald Trump Jr. foram alguns dos que compartilharam conteúdos questionando a legitimidade da votação, além de traçar comparações de Lula com Nicolás Maduro, político venezuelano que foi sequestrado pelos Estados Unidos no início deste ano.

No X, Trump Jr. divulgou um post de Martin De Luca, advogado próximo a Trump, onde ele criticava a decisão de prorrogar o horário de votação. De Luca considerou essa medida como uma forma de manipulação e indagou se a comunidade internacional reconheceria o pleito como legítimo e justo.

Ele também afirmou que “ninguém vai reconhecer” o resultado e questionou se Lula estava se encaminhando para se tornar “o próximo Nicolás Maduro”. Musk replicou a postagem com um comentário simples: “uau”.

Em uma nova publicação, Musk reforçou suas dúvidas acerca do resultado ao afirmar que “a conta não fecha”, baseando-se em dados fornecidos por um aliado do trumpismo. No entanto, essa comparação não levava em conta as abstenções. O Tribunal Superior Eleitoral confirmou a vitória de Lula com uma margem superior a 4,4 milhões de votos.

Trump Jr. também teceu críticas à cobertura da mídia nos Estados Unidos por sua falta de atenção à prorrogação do horário de votação.

A extensão do tempo para votar foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin após ações articuladas pela extrema direita que dificultaram o tráfego em áreas com maior concentração de apoiadores de Lula.

Tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio Bolsonaro solicitaram essa ampliação, embora com diferentes justificativas e abrangências.

Até este momento, Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, não havia se pronunciado sobre a vitória eleitoral.

Antes da votação acontecer, parlamentares democratas já haviam exigido dele um compromisso em respeitar os resultados das eleições. Em resposta, o Departamento de Estado informou que os Estados Unidos apoiam o direito dos brasileiros a um processo “livre e justo”, mas não garantiu explicitamente o reconhecimento do resultado pelo governo americano.

A comunicação foi enviada por Katherine Bowles, subsecretária para Assuntos Legislativos, e não contou com a assinatura de Rubio.

By Aconteceu de Fato

Confira!