A equipe de defesa de Jair Bolsonaro, atualmente sob prisão domiciliar, informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que seu cliente não tinha conhecimento sobre a intenção do filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), em divulgar uma carta em apoio à sua pré-candidatura à presidência da República.
Essa alegação de que Jair não sabia da divulgação da carta levanta questionamentos, pois o documento é direcionado “aos brasileiros” — mais especificamente aos apoiadores da extrema direita. O texto se inicia com a frase: “saudoso do contato com o povo”.
A defesa baseia sua justificativa em uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, que estipulou um prazo de 48 horas para que se manifestassem após a divulgação realizada por Flávio.
O filho 01 leu e publicou a carta nas redes sociais, o que resultou na suspensão das visitas do senador ao pai por 90 dias, já que essa ação violou uma medida cautelar relacionada à prisão domiciliar.
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Jair Bolsonaro está proibido de se manifestar ou utilizar redes sociais, seja diretamente ou através de terceiros, além de estar impedido de usar dispositivos de comunicação.
A defesa alega que Jair “jamais teve ciência da publicação da carta e não houve qualquer tipo de orientação ou acordo prévio sobre o uso das redes sociais para essa finalidade”.
Desde 24 de março deste ano, o ex-presidente está em prisão domiciliar por razões humanitárias relacionadas à sua saúde. Ele foi condenado em novembro de 2025 por tentativa de golpe após perder as eleições, recebendo uma pena total de 27 anos e três meses.
A carta divulgada pelo senador ocorre em meio a conflitos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ela e Flávio têm se atacado publicamente durante disputas pelo legado político deixado por Jair.
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Michelle já declarou anteriormente ter sido desrespeitada e maltratada pelo enteado. Ela está tentando se posicionar como candidata nas próximas eleições e se vê como uma potencial postulante ao Planalto caso Flávio enfrente um colapso definitivo devido às crescentes acusações contra ele.
Dessa forma, a carta divulgada pelo enteado serve como um novo ataque à madrasta, posicionando Jair como alguém que pede para que sejam deixadas “de lado as possíveis diferenças” e destacando Flávio como seu verdadeiro porta-voz — uma situação que intensifica as tensões no clã bolsonarista e demonstra uma relação distante entre Jair e Michelle, ao contrário das aparências públicas.
Adicionalmente, a resposta da defesa ao STF coloca Flávio em uma posição delicada, adicionando mais um capítulo polêmico à sua trajetória enquanto ele deve lidar com questões relacionadas a Daniel Vorcaro e uma foto com o miliciano Sicário, além das repercussões das suas ações nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, suas intenções de voto continuam a cair nas pesquisas.
