Nesta terça-feira (8), diversas cidades alemãs foram palco de manifestações massivas contra o crescimento da Alternativa para a Alemanha (AfD), em resposta ao triunfo do partido de extrema direita nas eleições estaduais de Saxônia-Anhalt, realizadas no último domingo (6).
Em Berlim, um grande grupo de manifestantes se congregou em frente ao icônico Portão de Brandemburgo, promovendo um ato em defesa da democracia. Mobilizações semelhantes aconteceram também em Potsdam, Halle e Dresden. Os participantes dos protestos clamaram por uma coalizão unida contra a AfD e, em algumas ocasiões, pediram a abertura de um processo que possa levar à proibição do partido.
Com 43,8% dos votos na Saxônia-Anhalt, a AfD conquistou a maior representação no Parlamento estadual. Embora não tenha conseguido a maioria absoluta, o partido pode buscar formar um governo com o apoio parlamentares do BSW, uma legenda de esquerda que se desvinculou do Die Linke e está disposta a firmar acordos pontuais com a extrema direita.
O serviço de inteligência interno alemão classifica a seção da AfD em Saxônia-Anhalt como extremista. Os membros do partido defendem políticas que incluem deportações em massa, restrições aos direitos dos imigrantes e ações adversas contra a comunidade LGBTQIA+. Além disso, a AfD propõe o fim do suporte alemão à Ucrânia e uma maior aproximação com a Rússia.
Em Halle, uma das principais cidades da Saxônia-Anhalt, ativistas estabeleceram um acampamento em protesto contra as atividades da AfD. Notavelmente, Halle se destacou como uma das raras exceções ao domínio eleitoral da extrema direita no estado: o Die Linke venceu dois dos três distritos onde a AfD foi derrotada nas eleições recentes.
Esses atos ocorrem em um momento crucial, com novas eleições se aproximando na Alemanha. No dia 20 de setembro, Berlim realizará as votações para escolher os representantes do Parlamento estadual, enquanto Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental fará o mesmo para seu Parlamento e novo governo regional.
A AfD lidera atualmente as pesquisas nesse segundo estado, que também faz parte da antiga Alemanha Oriental.
Os protestos ressurgem como uma mobilização antifascista que havia atraído grandes multidões no país nos últimos anos.
