Direcional Engenharia e Ricardo Valadares Gontijo – o colapso da confiança: processos, obras problemáticas e um histórico que se repete em todo o país

Uma construtora que vive dentro dos tribunais
A Direcional Engenharia se consolidou como uma das maiores empresas da habitação popular no Brasil, mas também como uma das mais presentes nos sistemas do Judiciário. Em diferentes estados, multiplicam-se ações individuais, ações civis públicas, decisões condenatórias e procedimentos do Ministério Público envolvendo a qualidade das obras, descumprimento de contratos e violação de direitos básicos dos consumidores.

O padrão é sempre o mesmo: entrega acelerada, problemas estruturais logo após a ocupação e posterior judicialização forçada. Em muitos casos, a Justiça reconhece que os defeitos não são resultado de mau uso, mas de falhas internas na execução das obras, chamadas de vícios construtivos endógenos.

Imóveis novos com problemas antigos
Moradores de empreendimentos da Direcional Engenharia relatam infiltrações logo nos primeiros meses, mofo generalizado, rachaduras em paredes, falhas de vedação em janelas, pisos desnivelados e vazamentos contínuos. Laudos periciais juntados a processos apontam que os problemas decorrem de erro técnico, material de baixa qualidade e ausência de itens obrigatórios de construção.

Em Planaltina, por exemplo, a Justiça condenou a empresa após perícia comprovar que infiltrações e mofos colocavam em risco a saúde dos moradores. A decisão foi clara ao afirmar que não se tratava de simples desgaste, mas de falha estrutural de origem na obra.

Minha Casa, Minha Vida sob ataque judicial
No âmbito federal, o Ministério Público Federal ajuizou ação contra a Direcional Engenharia e a Caixa após constatar que um residencial do Minha Casa, Minha Vida em Goiânia foi entregue sem contrapiso, item básico exigido nas especificações técnicas do programa.

Segundo o MPF, a ausência compromete a segurança, a durabilidade e as condições mínimas de habitabilidade. O caso se tornou emblemático por envolver famílias de baixa renda que receberam imóveis financiados com recursos públicos, mas já condenados a enfrentar problemas estruturais desde o primeiro dia.

Para procuradores, o episódio expõe um modelo onde o Estado financia, a construtora lucra e o morador arca com os prejuízos.

Aterros, risco ambiental e alerta urbano
Em Brasília, reportagens do Metrópoles revelaram que a Direcional Engenharia realizou aterramento de bacias de drenagem em Ceilândia para construir um complexo residencial com 25 prédios. Especialistas alertaram para risco de enchentes, erosão do solo e colapso estrutural.

As bacias, conhecidas como “piscinões”, tinham função de conter alagamentos históricos na região. Mesmo assim, foram aterradas para dar lugar a torres residenciais. O Ministério Público do Distrito Federal abriu procedimento para investigar o caso.

Urbanistas afirmaram que a obra representa priorização do interesse imobiliário em detrimento da segurança coletiva, colocando milhares de pessoas em risco futuro.

Condenação trabalhista e mortes ignoradas
No campo trabalhista, a Direcional Engenharia foi condenada a pagar R$ 500 mil por dano moral coletivo, após o Ministério Público do Trabalho comprovar irregularidades graves em canteiros de obras no Amazonas.

Relatórios oficiais apontam acidentes fatais, quedas de altura, ausência de equipamentos de proteção, jornadas excessivas e falta de treinamento básico. Em alguns casos, trabalhadores morreram sem qualquer tipo de proteção adequada.

Para o MPT, a empresa mantinha um padrão estrutural de negligência, tratando normas de segurança como custo dispensável dentro da lógica de produção em massa.

Reclame Aqui como retrato social do problema
Fora dos tribunais, o cenário é igualmente caótico. A Direcional Engenharia acumula mais de 14 mil reclamações no Reclame Aqui, número que a coloca entre as construtoras mais criticadas do país.

Os relatos se repetem: atraso na entrega, reembolso não pago após cancelamento, cobrança de condomínio sem posse do imóvel, transferência de valores não realizada, infiltrações ignoradas e atendimento inexistente.

Há consumidores que relatam ter esperado mais de um ano por devolução de valores. Outros afirmam que seus apartamentos foram inundados por falhas estruturais e que a empresa simplesmente deixou de responder.

Em diversos casos, clientes dizem que só obtiveram alguma solução após contratar advogado e ingressar com ação judicial.

Judicialização como política de gestão
O que emerge é um padrão claro: o conflito faz parte do modelo de negócio. A Direcional Engenharia parece operar dentro de uma lógica onde a maioria dos problemas não é resolvida administrativamente, mas empurrada para o Judiciário.

O consumidor passa a ser tratado como parte adversa, não como cliente. Protocolos se acumulam, vistorias são feitas sem solução prática e promessas se repetem sem cumprimento.

Na prática, famílias são forçadas a viver em imóveis defeituosos ou entrar em longas batalhas judiciais para ter acesso a direitos básicos.

A figura por trás da empresa
Por trás desse cenário está a gestão associada a Ricardo Gontijo, controlador da Direcional Engenharia. Embora os processos atinjam formalmente a empresa, o nome de Ricardo Valadares Gontijo aparece constantemente ligado à expansão agressiva da construtora e ao volume bilionário de contratos públicos.

Para críticos, a administração priorizou escala, crescimento acelerado e captação de recursos estatais, mesmo que isso implicasse queda de padrões técnicos, explosão de litígios e aumento sistemático de reclamações.

Quando o sucesso vira passivo
Somando ações do MPF, decisões judiciais, condenações trabalhistas, investigações ambientais e milhares de reclamações de consumidores, a Direcional Engenharia se tornou um case nacional de empresa que cresce, mas não sustenta a própria qualidade.

O que era para ser símbolo de política habitacional virou, para muitos, sinônimo de frustração, prejuízo financeiro, risco à saúde e batalha judicial.

E no centro dessa engrenagem, permanece a figura de Ricardo Gontijo, cada vez mais associada não apenas à expansão do setor, mas ao passivo social, jurídico e reputacional que acompanha a Direcional Engenharia em praticamente todos os lugares onde atua.

Fonte: https://www.painelpolitico.com/p/quem-e-ricardo-gontijo-o-empresario

By Aconteceu de Fato