Reflexão: “E.T.” traz de volta o humor que se perdeu na telinha

No cenário atual, onde muitos programas de comédia parecem priorizar clipes virais nas redes sociais em detrimento do verdadeiro riso, “E.T.”, a nova produção de Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch no Globoplay, se destaca como uma agradável revelação.

A série não tenta se aprofundar em explicações sobre seu próprio absurdo. Ela não busca provocar grandes reflexões ou gerar polêmicas nas redes sociais. O foco é muito mais simples e, por essa razão, raro de encontrar nos dias de hoje: proporcionar risadas.

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A proposta humorística de “E.T.” é claramente nonsense. Em certos momentos, o programa flerta com o ridículo e, em outros, mergulha completamente nele. No entanto, essa abordagem é feita de maneira leve, sem malícia ou agressividade, evitando transformar qualquer pessoa em alvo. Os quadros exploram situações comuns do cotidiano, pequenas neuroses contemporâneas e ideias que inicialmente parecem sem lógica, mas que se tornam cada vez mais absurdas.

O programa evoca diferentes épocas da comédia brasileira. Em algumas passagens, faz lembrar a criatividade ousada de “TV Pirata”; em outras, remete à irreverência de “Casseta & Planeta”. Também é possível notar um toque do surrealismo característico de “Tá No Ar”, enquanto ainda assim estabelece sua própria identidade.

A química entre Tatá e Edu contribui significativamente para o encanto da série. A verdadeira amizade entre eles transparece na tela. O público sente como se estivesse acompanhando duas pessoas se divertindo genuinamente juntas. Ao final de cada episódio, surge uma curiosidade: a vontade de continuar aquela conversa e talvez até estabelecer uma amizade com os dois.

A participação da chef Paola Carosella em um dos episódios ajuda a capturar perfeitamente a essência do programa. Nos erros de gravação apresentados ao final do episódio, ela descreve sua participação como um “delírio”, o que pode ser aplicado ao episódio inteiro — quiçá à temporada como um todo.

Esse aspecto não é visto como um ponto negativo. “E.T.” brilha exatamente por abraçar essa loucura. Não busca justificar suas bizarrices nem atribuir-lhes importância excessiva. Apenas existe para entreter e divertir.

Os episódios são curtos e leves, sem compromisso além do entretenimento puro. Ideal para ser assistido enquanto realiza tarefas cotidianas ou durante uma pausa após um dia cansativo. Ao término do programa, fica uma sensação agradável de leveza — algo cada vez mais escasso na programação televisiva e nas plataformas de streaming.

A temporada continua sendo lançada semanalmente no Globoplay e já é possível afirmar que “E.T.” representa uma das surpresas mais agradáveis do humor nacional em 2026. Que venham novas temporadas — e novos delírios!

By Aconteceu de Fato

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