Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump, tiveram uma conversa por telefone na noite de segunda-feira (9) para discutir a situação da guerra no Irã e possíveis formas de conter a escalada militar no Oriente Médio.
O Kremlin informou que Putin apresentou a Trump propostas russas para lidar com a crise e abriu caminho para futuras negociações entre os dois países.
O diálogo durou aproximadamente uma hora e foi iniciado por Trump. Segundo Yuri Ushakov, assessor presidencial russo, os líderes abordaram não apenas a situação no Oriente Médio, mas também o conflito na Ucrânia e questões relacionadas ao mercado global de petróleo.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, mencionou que Moscou trouxe à conversa propostas ligadas à crise no Irã. “Essas propostas foram transmitidas pelo presidente [Putin] ao seu interlocutor”, afirmou. O conteúdo das propostas não foi divulgado no momento.
“Veremos como o processo de coordenação seguirá adiante”, acrescentou.
A Rússia tem se manifestado de forma direta contra a ofensiva militar no Irã. Desde o início dos bombardeios liderados pelos EUA e Israel, diplomatas russos têm classificado os ataques como uma escalada perigosa e solicitado o fim das hostilidades na região.
Nesse contexto, analistas próximos à política externa em Moscou acreditam que o país pode desempenhar um papel diplomático nas negociações. Konstantin Blokhin, cientista político e pesquisador do Centro de Estudos de Segurança da Academia Russa de Ciências, enfatizou que a Rússia mantém canais abertos de diálogo tanto com Washington quanto com Teerã.
“Podemos atuar como mediadores nesse processo de negociação”, afirmou à imprensa.
A ligação entre Putin e Trump ocorreu em meio à escalada militar que teve início em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel iniciaram os ataques contra o Irã. Os bombardeios resultaram em vítimas civis e foram seguidos por ações de retaliação do Irã contra território israelense e bases militares norte-americanas na região.
O conflito também gerou instabilidade no mercado global de energia, levando a um aumento significativo nos preços do petróleo. O temor de interrupções no transporte de combustível pelo Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o comércio mundial de petróleo e gás, contribuiu para essa alta.
Nesse contexto, o governo americano está considerando medidas para aumentar a oferta global de energia, incluindo a flexibilização de algumas sanções relacionadas ao petróleo russo. O objetivo seria aliviar a pressão sobre os preços internacionais do petróleo.
O Kremlin afirmou que esse tema não foi discutido em detalhes na conversa entre os presidentes, embora ambos reconheçam o impacto das restrições ao fornecimento de energia na economia mundial.
