Nas recentes eleições parlamentares, o primeiro-ministro Viktor Orbán e seu partido, Fidesz-KDNP, enfrentaram uma derrota significativa. O partido de centro-direita Tisza, sob a liderança de Péter Magyar — que antes era aliado de Orbán, mas se tornou seu crítico mais fervoroso — conquistou uma supermaioria com 138 dos 199 assentos disponíveis no Parlamento. Magyar obteve 52,44% dos votos em nível nacional, totalizando mais de 3,1 milhões de eleitores, alcançando assim os dois terços necessários para implementar reformas constitucionais. Em contraste, o Fidesz ficou com apenas 55 cadeiras e 39,15% do total de votos.
A participação eleitoral foi notável, atingindo quase 80%, um recorde histórico para a democracia húngara. Na noite da eleição, que ocorreu no domingo (12), Orbán reconheceu sua derrota e assumiu que não recebeu a renovação de mandato para governar. Ele anunciou que atuará na oposição. Por outro lado, Magyar comemorou o que chamou de “libertação” da Hungria e prometeu restabelecer o Estado de Direito, enfrentar a corrupção sistêmica e alinhar a capital húngara com as diretrizes da União Europeia e da OTAN.
Consequências na política europeia
A vitória de Magyar sinaliza uma mudança geopolítica crucial. Durante mais de quinze anos, Orbán estabeleceu um regime rotulado ironicamente como “democracia iliberal”, que serviu como um campo de experimentação para a extrema direita na Europa. Esse regime foi marcado pelo controle da mídia estatal, concentração de poder e estreito alinhamento com Vladimir Putin. Com a nova composição do Parlamento, o governo Tisza está bem posicionado para reverter legislações que sufocaram tanto o Judiciário quanto a liberdade de imprensa.
Especialistas de meios internacionais como BBC, El País e Politico apontam que a Hungria deve distanciar-se do Kremlin e reforçar seus laços com a União Europeia. Essa mudança pode facilitar uma maior unidade entre os membros do bloco em questões relacionadas à defesa e à diplomacia. Além disso, abre caminho para a liberação de recursos europeus anteriormente bloqueados devido a violações democráticas, trazendo alívio para uma economia húngara em dificuldades. O colapso do modelo Orbán — fundamentado no nacionalismo autoritário e no euroceticismo extremo — serve como um aviso para partidos ultradireitistas em ascensão na Europa, como o RN na França e o Vox na Espanha.
O enfraquecimento dos aliados trumpistas
A derrota de Orbán ressoa intensamente além do Atlântico. O ex-primeiro-ministro era visto como o principal representante do trumpismo na Europa, atuando como uma ponte ideológica entre essa corrente política e o nacionalismo europeu. A relação era tão estreita que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, esteve em Budapeste pouco antes das eleições para expressar apoio ao governo atual, destacando a importância estratégica da Hungria para os movimentos populistas americanos.
Essa derrota isola ainda mais a rede global de aliados populistas ligados ao ex-presidente Trump, incluindo figuras como Javier Milei na Argentina. O resultado das eleições na Hungria demonstra que sistemas fortemente controlados pela máquina estatal podem sucumbir à insatisfação popular diante da corrupção e do isolamento internacional. Embora conservador, Magyar defende a adesão à Procuradoria Europeia e a adoção do euro, posicionando-se claramente contra o isolacionismo promovido pelo lema “America First”.
A mensagem das urnas e as perspectivas do movimento MAGA
Os resultados das eleições húngaras são um alerta importante para o movimento MAGA nos Estados Unidos, especialmente com as eleições intermediárias se aproximando em 2026. A mobilização massiva contra o status quo húngaro indica que líderes considerados “inabaláveis” podem ser derrotados quando os eleitores priorizam a estabilidade econômica e as normas institucionais sobre conflitos culturais constantes.
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