Nesta segunda-feira (25), o Financial Times, renomado periódico britânico voltado para o mercado financeiro global, declarou que a cinebiografia Dark Horse, que tem como objetivo transformar Jair Bolsonaro em um ícone da extrema direita mundial, se transformou em uma “comédia de erros”, representando um risco para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A avaliação feita pelo jornal evidencia o impacto negativo gerado pelo escândalo relacionado ao financiamento do filme, que envolveu investimentos milionários obtidos através de negociações com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Esse escândalo atingiu diretamente Flávio Bolsonaro, que era visto como o sucessor político de Jair Bolsonaro após a condenação deste a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Em sua análise, o Financial Times comentou que “mesmo antes do lançamento, a cinebiografia já se transforma em uma comédia de erros”, referindo-se à série de revelações sobre os bastidores da produção.
A publicação britânica destaca que Flávio buscou US$ 24 milhões para financiar o projeto — equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões, considerando a cotação da época — diretamente com Vorcaro, figura central no colapso do Banco Master.
Desses valores, R$ 61 milhões já tinham sido liberados entre fevereiro e maio de 2025.
A divulgação de áudios pelo The Intercept Brasil revela Flávio pressionando por mais pagamentos e tratando Vorcaro como “irmão”. Em uma mensagem enviada ao banqueiro um dia antes da primeira prisão dele, o senador afirmou: “Estou e estarei contigo sempre”.
O Financial Times ressalta que Vorcaro mantinha “relações estreitas com figuras influentes em instituições importantes enquanto levava um estilo de vida opulento”, criando um ambiente propício ao tráfico de influência para beneficiar interesses financeiros e políticos.
A repercussão negativa do caso começou a afetar diretamente as chances eleitorais de Flávio Bolsonaro.
O jornal britânico aponta que o escândalo gerou incertezas dentro da própria direita sobre a capacidade do senador em manter uma candidatura competitiva contra Luiz Inácio Lula da Silva.
Anteriormente, os apoiadores do bolsonarismo tentavam promover Flávio como o sucessor natural do pai, preso após liderar articulações golpistas após a derrota nas eleições de 2022.
No entanto, agora ele está associado a um escândalo financeiro que envolve milionários, fundos suspeitos e uma produção cinematográfica internacional ligada à extrema direita global.
A situação gerou desconforto até mesmo entre membros da máquina propagandística bolsonarista. Rodrigo Constantino, importante ideólogo da extrema direita brasileira e aliado histórico da família Bolsonaro, criticou abertamente Flávio e seu círculo próximo. “É inadmissível, é tratar o público como idiota”, declarou ele.
O Financial Times ainda destaca que Jair Bolsonaro continua sendo a figura central na liderança da direita brasileira e que qualquer definição sobre a candidatura do filho está intimamente ligada à sua influência.
Apesar dos desafios enfrentados, aliados internacionais do bolsonarismo continuam acreditando no potencial promocional de Dark Horse. O filme conta com Jim Caviezel, ator conhecido por seu papel em A Paixão de Cristo, muito admirado por setores da extrema direita nos Estados Unidos.
Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, revelou ao Financial Times seu desejo de divulgar o filme entre os apoiadores do movimento MAGA, associado a Donald Trump. “Se você está no Brasil e ouve sobre um filme feito sobre seu ex-presidente com uma grande estrela de Hollywood no elenco, isso amplifica consideravelmente o alcance. É muito mais eficaz do que fazer comerciais curtos na TV”, comentou Bannon.
A trama vazada do filme combina mensagens religiosas direcionadas à base conservadora dos apoiadores de Bolsonaro com discursos antissistema e uma representação heroica do atentado sofrido por Jair Bolsonaro em 2018.
Dessa forma, apesar das intenções iniciais de promover uma imagem positiva da extrema direita brasileira no exterior, o projeto acabou se transformando em mais um fator prejudicial ao bolsonarismo.
