Trump navega por tensões com Israel enquanto tenta um entendimento com o Irã

Na terça-feira (2), um novo revés atingiu os esforços de Washington para conter a intensificação militar no Oriente Médio, quando Israel retomou os bombardeios no sul do Líbano, desconsiderando as pressões exercidas por Donald Trump para evitar ações que pudessem prejudicar as tratativas dos EUA com o Irã.

Antes dos ataques, o presidente dos Estados Unidos havia solicitado a Benjamin Netanyahu que suspendesse as operações nos subúrbios ao sul de Beirute, uma área considerada um bastião do Hezbollah.

A resposta israelense foi parcialmente uma reação ao aviso de Teerã, que sinalizou que deixaria as negociações caso Israel ampliasse seus bombardeios na região libanesa.

Apesar disso, o governo de Netanyahu reafirmou sua intenção de prosseguir com os ataques. O Exército israelense emitiu novas ordens de evacuação para Nabatieh, uma das principais cidades do sul do Líbano, e continuou com suas operações aéreas e disparos de artilharia na área.

Após a conversa com Trump, Netanyahu divulgou um comunicado afirmando que Israel manteria sua postura militar. “Se o Hezbollah não interromper os ataques contra nossas cidades e civis, Israel realizará ataques a alvos terroristas em Beirute”, declarou o primeiro-ministro israelense.

A escalada recente revela uma crescente contradição dentro da aliança entre os Estados Unidos e Israel. Após meses de apoio político e militar à ofensiva israelense na região, Washington agora tenta limitar uma guerra que pode comprometer seus próprios interesses estratégicos.

Os bombardeios continuam enquanto representantes de Israel e do governo libanês participam em Washington de uma nova rodada de negociações mediadas pelos Estados Unidos. O objetivo das discussões é formalizar um cessar-fogo e evitar a escalada do conflito.

Autoridades iranianas relataram à imprensa internacional que uma das condições para avançar nas conversas com os Estados Unidos é o término das hostilidades em todas as frentes do conflito, incluindo o Líbano.

No dia anterior (1º), Trump anunciou em suas redes sociais que Israel e Hezbollah haviam concordado em suspender os ataques mútuos. O governo libanês também confirmou que uma nova trégua estava em andamento e recebeu a informação de que o Hezbollah aceitou a proposta americana para um cessar-fogo recíproco.

Essa movimentação foi vista como uma tentativa da Casa Branca de evitar que a escalada regional comprometesse as negociações com Teerã. O aumento das tensões já havia gerado reações significativas nos mercados internacionais, resultando na alta dos preços do petróleo pelo receio de um colapso nas tratativas diplomáticas.

Ainda assim, as ofensivas israelenses persistiram. O Exército de Israel informou ter interceptado foguetes lançados do Líbano, enquanto o Hezbollah anunciou novas operações contra as tropas israelenses no sul da nação.

Além disso, o governo israelense reiterou suas ameaças contra Beirute caso novos ataques fossem realizados contra cidades no norte de Israel.

A determinação de Netanyahu em continuar a ofensiva evidenciou divisões até mesmo dentro da direita israelense. Críticos do premiê acusaram seu governo de colocar decisões militares subordinadas aos interesses americanos.

O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett afirmou que Israel enfrenta uma situação de “perda de soberania”, enquanto Yair Lapid destacou que o país poderia estar se transformando em um “protetorado” dos Estados Unidos. Por outro lado, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior, criticou Trump por pressionar Israel a suspender os ataques, considerando essa exigência “humilhante”.

Enquanto Trump busca corrigir seus erros e estabilizar a região para manter as negociações com Teerã e prevenir impactos econômicos e militares adicionais, Netanyahu continua ampliando sua ofensiva no Líbano sob pressão de aliados ultranacionalistas e enfrentando desgaste interno em seu governo.

By Aconteceu de Fato

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