Lula se distancia ainda mais de Flávio Bolsonaro, revela novo levantamento

Uma nova pesquisa divulgada nesta segunda-feira (15) revela um aumento na preferência dos eleitores pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que agora se destaca no segundo turno e possui uma base de apoio mais sólida. Paralelamente, houve um crescimento significativo na rejeição ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Esses dados e outros elementos do atual quadro eleitoral são parte de um estudo realizado pelo BTG Pactual/Nexus, que entrevistou 2.017 pessoas entre os dias 12 e 14 de junho, com um nível de confiança de 95%.

O período da pesquisa já considera a opinião pública em relação à divulgação das ligações entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, além das novas sanções econômicas impostas pelo governo de Donald Trump ao Brasil e a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

Essas medidas foram anunciadas após o encontro do senador com o presidente dos EUA e têm sido interpretadas como uma traição à soberania nacional, percepção que também se reflete na opinião da população.

Segundo turno

No cenário mais provável para o segundo turno, Lula alcança 49% das intenções de voto, enquanto Flávio fica com 43%. Em maio, os números eram 47% a 43%, respectivamente.

Em uma possível disputa entre Lula e Romeu Zema (Novo), a vantagem de Lula é ainda maior: 49% contra 39%. No caso da comparação entre Lula e Ronaldo Caiado (PSD), a vantagem é ligeiramente menor, com o presidente marcando 48% frente a 39% para Caiado.

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“Na competição do segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula assume a liderança fora da margem de erro pela primeira vez. Há três semanas, ele tinha uma vantagem de 4 pontos percentuais; agora está 6 pontos à frente. Essa melhora no desempenho de Lula está associada ao aumento na aprovação do seu governo, que pela primeira vez apresenta saldo positivo”, afirmou Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.

Conforme o levantamento, 48% dos entrevistados aprovam o governo atual, enquanto 47% desaprovam — um mês atrás, esses índices estavam invertidos (47% a favor e 48% contra).

A pesquisa também analisou o potencial de voto e rejeição. Enquanto 52% afirmaram que não votariam em Flávio sob nenhuma circunstância, apenas 47% disseram o mesmo sobre Lula. Além disso, 38% indicaram que só votariam em Lula, em comparação com 25% para Flávio.

Quando questionados sobre quem deveria ser eleito presidente em um cenário estimulado, Lula obteve 40%, um leve aumento em relação aos 39% anteriores. Por outro lado, Flávio — ou “algum outro candidato indicado por Jair Bolsonaro ou membro da sua família” — registrou 31%, uma queda em relação aos 34%. Aqueles que preferem “um candidato não ligado nem a Lula nem a Jair Bolsonaro” somaram 24%, subindo de 18% no último mês.

A pesquisa ainda investigou as razões para a escolha nos dois principais candidatos no segundo turno. Entre os que escolhem Lula, 79% afirmam que ele é o melhor candidato (uma leve queda em relação aos 80% do mês anterior), enquanto 16% disseram votar nele apenas para “derrotar Flávio Bolsonaro”, um aumento em relação aos anteriores 14%; outros 5% não souberam ou não responderam.

No grupo que prefere Flávio, 61% consideram que ele é “o melhor candidato”, apresentando uma queda de quatro pontos percentuais desde maio. Outros 31% alegam escolher Flávio somente para “derrotar Lula” (uma pequena variação em relação aos meses anteriores); enquanto 8% não souberam ou não quiseram responder.

A pesquisa revelou também dados sobre a divisão política no país: cerca de 26% se identificam como lulistas fervorosos e outros tantos como bolsonaristas convicto. A porcentagem dos que se consideram “não polarizados” é de apenas 21%. Os que veem Lula e Bolsonaro como opções são respectivamente apenas 6% e 7%, enquanto os anti-Lula e anti-Bolsonaro somam juntos cerca de 8%.

Medidas dos EUA contra o Brasil

A sondagem buscou avaliar o conhecimento geral sobre a classificação das facções criminosas brasileiras nos EUA e as novas tarifas impostas. Um total de 86% dos respondentes sabia algo sobre isso; apenas 13% ignoravam completamente. Quanto ao novo tarifaço, observou-se que apenas 73% informaram saber algo sobre as tarifas impostas pelos EUA.

A maioria dos entrevistados manifestou oposição à recente classificação do PCC e CV pelos Estados Unidos: cerca de 37% acreditam que isso “vai ameaçar a segurança dos brasileiros”, pois pode servir como justificativa para intervenções norte-americanas; enquanto outros consideram que isso será inócuo para a segurança pública brasileira (23%). Por outro lado, há quem veja essas ações como benéficas para combater o crime organizado sem comprometer a soberania nacional (30%).

A pesquisa ainda perguntou aos participantes quem seria o responsável pelas novas tarifas americanas: para 42%, isso é culpa de Flávio devido à sua proximidade com Trump; já para outros 39%, a responsabilidade recai sobre Lula por sua suposta falta de relacionamento cordial com Washington; enquanto apenas11 % acreditam que nenhum deles tem culpa porque os EUA estão agindo por interesses próprios.

Primeiro turno

No levantamento espontâneo referente ao primeiro turno das eleições presidenciais, Lula aparece com uma preferência de 36%, superando os atuais índices do Flávio com seus esperados 27%. Na sequência aparecem candidatos menos conhecidos como Renan Santos (Missão) com apenas1%, assim como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Os indecisos alcançam uma taxa significativa: cerca de24 %.

No cenário estimulado para o primeiro turno foram testadas duas possibilidades. No primeiro deles, Lula obteve42%, enquanto Flávio ficou com33%. Em maio as porcentagens eram diferentes:40 % para Lula contra35 % para Flávio. Renan Santos e Caiado marcaram4 % cada; Zema, Joaquim Barbosa (DC) e Augusto Cury (Avante) receberam2%; Aécio Neves (PSDB) e Cabo Daciolo (Mobiliza) tiveram1%.

No segundo cenário estimulado do primeiro turno nota-se um desempenho superior tanto para lula quanto para Flávio: este apresenta porcentagensde43 % contra34 %, superiores às estatísticas anteriores onde estavam em41 % e35 %, respectivamente.

Analisando os votos estimulados no primeiro turno conforme o primeiro cenário estabelecido pela pesquisa foi identificado que81 % dos eleitores apoiadores de lula não pretendem alterar seu voto; entre os apoiadores flaviocerca77 % também afirmaram estar firmes em suas escolhas.

Segurança como principal problema

A pesquisa abordou ainda quais problemas são considerados prioritários pelos entrevistados:17 % apontaram segurança pública como principal questão; somando-se a isso outros16 %, totalizando33 %. A saúde pública aparece em seguida com10 % citando-a como principal preocupaçãoe15 % como secundária — totalizando25 %. Corrupção foi identificada por16 %, sendo esse considerado o maior problema,e7 %, como segundo — totalizando23 %. A educação é vista por5 %como prioridade máximae10 %como segunda preocupação — totalizando15 %.

A respeito da avaliação econômica do país atualmente apesar dos avanços recentes reconhecidos70 % julgam-na ruim ou péssima; enquanto31 % consideraram regulare19 %, ótima ou boa.

No tocante ao grau endividamento da população consultada:42 % afirmaram não possuir dívidas;33 % mencionaram ter débitos regulares; já25 % informaram ter dívidas atrasadas há maisde30 dias.

By Aconteceu de Fato

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