Na noite de quarta-feira (15), a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que reconhece o hip-hop como parte integrante da cultura nacional. O relator da proposta, deputado Inácio Arruda (PCdoB-CE), fez alterações no texto original ao retirar o termo “gênero musical popular”, com o objetivo de ampliar a abrangência do movimento. Agora, o projeto segue para apreciação do Senado.
Inácio Arruda enfatizou que o hip-hop vai além da dança e das letras, representando também a aspiração de um povo por melhores condições de vida e dignidade. “O hip-hop é uma expressão do desejo por melhorias que podem surgir nas periferias e favelas. É isso que o movimento representa”, afirmou o relator.
O deputado destacou que a proposta, originalmente apresentada pelo deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), cria um espaço significativo para o reconhecimento das culturas e expressões populares em nível nacional.
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<p"Ele ressaltou a origem do hip-hop, que surge das comunidades periféricas e dos guetos, onde vivem pessoas frequentemente marginalizadas, enfrentando desemprego ou salários baixos. "Essa expressão popular nasceu desse contexto vulnerável", explicou Arruda.
Segundo ele, essa manifestação cultural possui raízes profundas. “O hip-hop está conectado com tradições antigas. Ele mantém uma relação direta com formas tradicionais brasileiras como o repente e os cantadores de viola, mas se desenvolve nas periferias e grandes centros urbanos do Brasil”, comentou.
Além disso, o deputado prestou homenagem aos artistas que contribuíram para o surgimento do movimento, mencionando nomes como Mano Brown, Toni C, Emicida e MH2O, este último originário do Conjunto Ceará em Fortaleza e que se tornou uma referência nacional no hip-hop.
Inácio Arruda também estabeleceu uma conexão entre o movimento hip-hop e a Central Única das Favelas (Cufa), presidida por Preto Zezé. “A Cufa está intimamente ligada a essa expressão do hip-hop nacional, atuando em favor das favelas brasileiras. Essa é uma periferia que se desenvolve, constrói riqueza e fomenta a economia,” concluiu.
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