O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, tem demonstrado uma postura de entreguismo e um complexo de inferioridade em relação aos Estados Unidos, evidenciando sua capacidade de agradar os que considera superiores. Recentemente, ele recebeu uma carta do secretário de Estado americano, Marco Rubio, onde este agradece pela disposição de Flávio em colocar sua “equipe de transição” a serviço dos EUA, caso vença as eleições.
Na correspondência datada de 23 de junho, Rubio expressa: “Valorizamos seu otimismo acerca das eleições de outubro e estamos gratos por sua generosa proposta de disponibilizar uma equipe de transição, caso seja eleito. Os Estados Unidos estão preparados para colaborar com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para estabelecer uma estrutura abrangente, justa e vantajosa em termos comerciais e de investimentos”.
No início do mês, após visitar a Casa Branca, Flávio havia escrito ao secretário: “Estou seguro de que serei eleito Presidente do Brasil em outubro. Se essa for a vontade do meu povo, estarei pronto para imediatamente colocar minha equipe de transição à sua disposição, para que possamos rapidamente finalizar um amplo acordo comercial e de investimentos que beneficie ambas as nações — fundamentado nos princípios do livre mercado, respeito mútuo e na aliança estratégica que nossos povos merecem”.
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Agradecendo ainda mais a posição favorável de Flávio em relação à classificação do CV e PCC como organizações terroristas — imposição dos EUA que visa intervir no Brasil durante um ano eleitoral — Rubio afirma que essas medidas são essenciais para “proteger os povos brasileiro e americano do crime organizado transnacional”.
Essas trocas epistolares refletem um jogo que envolve interesses colonialistas impulsionados por Trump e a figura subserviente de Flávio. Na busca por ascender ao Palácio do Planalto, o senador tem buscado apoio da administração Trump em detrimento da soberania nacional.
Com uma trajetória política marcada por escândalos e relações questionáveis — muitas vezes sob a tutela do pai golpista — Flávio se vê sem alternativas. Além das acusações relacionadas a rachadinhas e imóveis adquiridos com dinheiro vivo, há também questões sobre sua ligação com milícias. Ele ainda não explicou a origem dos R$ 60 milhões recebidos de Daniel Vorcaro (resultantes das fraudes no Banco Master), dinheiro destinado supostamente para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Para complicar ainda mais sua situação pessoal, Flávio deve lidar com as tensões familiares reveladas por Michelle Bolsonaro.
Repercussão
A atitude servil de Flávio Bolsonaro perante os Estados Unidos não apenas compromete a soberania nacional como também infringe princípios básicos de um sistema democrático ao ignorar o governo atual e o desejo popular, cujo reflexo só será conhecido nas urnas em outubro.
A situação tem gerado reações diversas entre setores políticos e sociais que percebem na comunicação entre Flávio e Rubio uma clara tentativa de interferir na política brasileira, com consequências potenciais para todo o país.
Conforme reportou o jornalista Sérgio Roxo, “para um membro da equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Rubio tenta conferir a Flávio um status que ele não possui”. Essa manobra parece buscar legitimar Flávio como representante nas negociações entre os dois países, desconsiderando a existência de um governo devidamente eleito.
A deputada federal Jandira Feghali (RJ), líder do PCdoB na Câmara, manifestou indignação nas redes sociais: “Como diz o ditado, ‘cada um toma a água benta que quer’. Agora Tariflavio está não apenas tramando contra o Brasil como também oferecendo sua equipe ao governo dos EUA. Não há como ser mais subserviente!”
O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) também se manifestou: “A resposta enviada por Rubio a TariFlávio revela que ele apoia sanções contra o Brasil e demonstra seu compromisso em criar uma equipe voltada aos interesses dos EUA. TariFlávio quer alugar o Brasil! É o maior crime contra a pátria na história!” Ele também fez uma comparação contundente: “Flávio Bolsonaro é pior que Silvério dos Reis”.
Pela perspectiva do vice-líder do governo na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), “Flávio Bolsonaro não é um candidato à presidência do Brasil; ele se apresenta como gerente da Colônia Trump na América Latina ao oferecer sua equipe ao governo americano caso seja eleito. O contraste é evidente: enquanto Lula discute defesa nacional e soberania, os Bolsonaros se entregam cada vez mais ao viralatismo e à subserviência”.
O post sobre Flávio Bolsonaro reforçando seu comportamento servil ao oferecer transição aos EUA foi publicado inicialmente no site Vermelho.
