O Fundo Monetário Internacional (FMI) reconheceu que a economia do Brasil continua a exibir forte resiliência frente ao panorama global e projetou um crescimento de 2,4% para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2026, com uma previsão de aceleração para cerca de 2,5% no médio prazo. A instituição acredita que esse desempenho será estimulado pela reforma tributária aprovada em 2023, pela normalização da política monetária e pelo crescimento na produção de petróleo e gás.
Essas informações foram apresentadas em um relatório divulgado nesta quinta-feira (23) após a finalização da Consulta do Artigo IV referente ao Brasil. O FMI ressalta que o país se encontra relativamente protegido contra o aumento global dos preços do petróleo, influenciado pela guerra no Oriente Médio, devido ao seu status de exportador dessa commodity e à significativa participação das fontes renováveis na matriz energética. Além disso, o documento enfatiza que o sistema financeiro brasileiro mantém sua resiliência, com os riscos sistêmicos sob controle.
No mesmo relatório, é ressaltado que o Brasil teve a segunda maior revisão positiva nas projeções de crescimento entre os membros do G20. A expectativa para a economia brasileira em 2026 foi elevada de 1,9% para 2,4%, refletindo uma confiança crescente no potencial do país. Essa atualização ocorre mesmo diante das tarifas elevadas impostas por Donald Trump aos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.
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Apesar disso, o FMI prevê que a inflação medida pelo IPCA chegue a 5,6% ao final de 2026, sendo temporariamente pressionada pelos preços globais da energia. A expectativa é que essa taxa convirja gradualmente para a meta de 3% até meados de 2028. O relatório aponta que as recentes reduções na taxa básica de juros estão alinhadas com o regime de metas inflacionárias; no entanto, recomenda cautela na condução da política monetária devido às incertezas internacionais.
A instituição também sugere um esforço fiscal mais robusto para assegurar uma trajetória decrescente da dívida pública e criar espaço para investimentos prioritários, mantendo as receitas extraordinárias oriundas do petróleo e os gastos sociais necessários. O relatório adverte ainda que tensões geopolíticas e comerciais podem impactar negativamente o crescimento econômico. Em contrapartida, a implementação de reformas destinadas a aumentar a produtividade e promover uma transição ecológica pode fortalecer ainda mais o desempenho econômico do país. Para 2027, o FMI estima um crescimento econômico de 2,2%.
Em um artigo publicado na Folha de S.Paulo, André Roncaglia, diretor-executivo do Brasil no FMI, observa que o país “aparece bem na foto” quando comparado internacionalmente.
“Uma contribuição significativa do relatório para os debates sobre políticas públicas no Brasil está na análise das políticas estruturais. Nesse aspecto, o Brasil se destaca. Conforme indicado pelo estudo [do FMI], as reformas recentes ampliaram o potencial de crescimento do país, com especial atenção à reforma tributária sobre consumo, que foi recomendada à Argentina no último relatório sobre aquele país sob a liderança de Javier Milei. Além disso, houve uma diversificação nas parcerias comerciais do Brasil, aumentando sua integração global. O Plano de Transformação Ecológica e a Nova Indústria Brasil foram mencionados positivamente. Combinados com outras reformas, esses programas têm potencial para impulsionar o aumento necessário na nossa produtividade”, afirma o economista em sua análise.
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