A Amazônia Legal abriga 48,2% dos processos de mineração no Brasil relacionados a minerais críticos e estratégicos, recebendo um montante de R$ 40,4 bilhões em investimentos voltados para minas e usinas de beneficiamento entre os anos de 2006 e 2024, excluindo-se o minério de ferro.
Embora a região se destaque na extração de ferro, bauxita, cobre e ouro, ainda carece da produção de minerais considerados essenciais para o desenvolvimento do país, como cobalto, terras raras e potássio. Essas informações fazem parte do relatório Amazônia Legal: Minerais Críticos e Estratégicos – Diagnóstico Setorial, que foi publicado na última quinta-feira (23) pela Agência Nacional de Mineração (ANM).
O levantamento compila dados sobre direitos minerários, investimentos em pesquisa e lavra, produção, royalties arrecadados, comércio exterior e principais projetos em andamento. Elaborado pela Superintendência de Economia Mineral e Geoinformação (SEG), o objetivo do diagnóstico é fornecer subsídios para a formulação de uma Política Nacional voltada para Minerais Críticos e Estratégicos.
No contexto da Amazônia Legal, o estado do Pará é responsável por 51% dos processos ligados a minerais críticos e estratégicos na região. Mato Grosso vem em segundo lugar com 19%, seguido por Rondônia com 10,3%. O ouro representa uma fatia significativa da atividade minerária, correspondendo a 67% dos processos, enquanto o estanho e o cobre representam 10% e 7,3%, respectivamente.
Leia mais: Câmara aprova projeto sobre minerais críticos que põe em risco a soberania
Brasileiros defendem que o País industrialize suas terras raras
Entre os anos de 2003 e 2024, os investimentos em pesquisa mineral totalizaram R$ 4,9 bilhões, sendo que 65,8% desse valor foi direcionado ao ouro e 19,1% ao cobre. No entanto, o estudo revela a ausência de produção de minerais estratégicos como potássio, terras raras e cobalto.
“Para mudar esse cenário é necessário aumentar os investimentos em pesquisa mineral. Isso deve incluir um aprofundamento no conhecimento geológico do Brasil para avaliar adequadamente o potencial mineral da região. É fundamental também desbloquear projetos estruturantes já identificados (como Autazes, Araguaia e Vermelho), além de promover maior segurança regulatória para atrair investimentos de longo prazo e parcerias público-privadas focadas em pesquisa, desenvolvimento e inovação que possam agregar valor às cadeias produtivas pós-mineração”, argumenta João Vasconcelos, gerente de Economia Mineral da ANM.
O relatório ainda ressalta que a crescente demanda global por minerais críticos — motivada pela transição energética, pela indústria tecnológica e pelo setor defensivo — aumenta a relevância estratégica da Amazônia. Contudo, destaca-se que a exploração mineral nessa região deve equilibrar os interesses econômicos com a conservação ambiental e o respeito aos direitos das comunidades indígenas.
*Com informações Agência Nacional de Mineração
O post Amazônia concentra 48,2% dos processos de minerais críticos e estratégicos apareceu primeiro em Vermelho.
