Extrema direita impede passagem de ônibus com solicitantes de asilo na Inglaterra

No último domingo (6), um grupo de centenas de ativistas de extrema direita bloqueou ônibus que transportavam 140 solicitantes de asilo que haviam chegado a Portsmouth, no sul da Inglaterra.

Essas pessoas foram resgatadas de uma embarcação no Canal da Mancha e estavam a caminho do centro de triagem localizado em Manston, Kent.

A mobilização foi organizada por Daniel Thomas, conhecido como Danny Tommo, que é ex-segurança e apoiador de Tommy Robinson — o pseudônimo de Stephen Yaxley-Lennon, uma das figuras proeminentes da extrema direita britânica.

Thomas realizou uma transmissão ao vivo a partir da praia de Eastney, convocando homens para se dirigirem até Portsmouth. Durante o protesto, os manifestantes impediam a passagem dos ônibus nas estradas que levavam à marina, onde os veículos aguardavam para deixar a cidade. A polícia foi acionada e emitiu uma ordem de dispersão, alertando sobre possíveis detenções para aqueles que não se retirassem.

O protesto em Portsmouth não foi um evento isolado na agenda do movimento fascista daquele fim de semana. No sábado (5), o grupo denominado Patriot Platform, também fundado por Thomas, bloqueou partes do porto de Dover, considerado a principal rota marítima entre o Reino Unido e a França.

A organização é composta por redes anti-imigração e utiliza as redes sociais para convocar ações contra indivíduos que tentam cruzar o Canal da Mancha buscando asilo.

Além disso, Thomas havia lançado a chamada Operação Overlord, que mobilizou extremistas para se dirigirem à costa francesa com o objetivo declarado de “interromper os barcos”. Em uma dessas ações, membros do grupo filmaram a destruição de botes abandonados numa praia na França.

A embarcação interceptada no domingo transportava cerca de 140 pessoas e marcou a primeira ocorrência desse tipo a chegar à costa de Portsmouth. Para essa operação foram mobilizados helicópteros, aviões, botes salva-vidas, equipes de resgate, policiais e agentes da fronteira.

Os resgatados seriam levados para Manston, um centro onde o governo britânico realiza o registro inicial e os primeiros trâmites para aqueles que solicitam asilo após atravessar o Canal. O bloqueio dos ônibus tinha como objetivo justamente obstruir essa remoção e transformar o desembarque em um palco para ideologias extremistas.

O dirigente local do partido Reform UK em Hampshire, George Madgwick, intensificou o tom alarmista dos manifestantes ao afirmar nas redes sociais que “mais de 100 homens migrantes” haviam chegado à cidade.

O partido liderado por Nigel Farage aproveita politicamente a questão da imigração e defende medidas mais rigorosas contra requerentes de asilo.

Apesar das travessias em pequenas embarcações terem diminuído mais de 40% neste ano, segundo dados divulgados pelo governo britânico, grupos extremistas continuam a utilizar cada nova chegada para organizar atos de intimidação contra aqueles que fogem de guerras, perseguições e crises sociais em seus países natal.

By Aconteceu de Fato

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