Nesta segunda-feira (5), o primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou a dissolução das Cortes Gerais e a convocação de eleições antecipadas na Espanha, marcadas para o dia 29 de novembro. Inicialmente, a votação estava programada para ocorrer em 2027.
A decisão de Sánchez foi motivada pela recente derrubada no Congresso de um pacote governamental destinado a evitar despejos e controlar os aumentos nos aluguéis. Essa proposta foi elaborada em resposta aos protestos contra a crise habitacional que mobilizaram dezenas de milhares de cidadãos nas ruas no último fim de semana.
Em um discurso realizado no Palácio da Moncloa, o premiê declarou: “Para avançar mais, é necessário renovar e ampliar nosso apoio popular”. Ele enfatizou a importância de se unir para formar uma maioria mais robusta e progressista, capaz de enfrentar as elites e promover novos avanços sociais, além de continuar com as transformações na Espanha.
A crise política ganhou destaque após o caso de uma mulher de 87 anos que foi despejada do lar onde residia há mais de 70 anos. Maricarmen Abascal viu-se forçada a deixar seu apartamento, adquirido por uma empresa que pretendia aumentar o aluguel em impressionantes 275%.
Em resposta à situação, o governo implementou regras mais rigorosas sobre despejos e impôs limites aos reajustes dos aluguéis. Contudo, essa reação provocou descontentamento entre proprietários e fundos imobiliários, resultando em uma aliança entre oposição e antigos aliados do governo para anular as medidas no Congresso.
No sábado (3), manifestações tomaram as ruas de Madri e outras cidades espanholas, com dezenas de milhares defendendo o direito à moradia. Em Madrid, manifestantes acampam na Puerta del Sol há mais de uma semana. Em Valência, confrontos ocorreram entre ativistas e forças policiais.
A derrota do governo no Parlamento revelou a vulnerabilidade da administração de Pedro Sánchez, que não possui uma maioria estável. O primeiro-ministro admitiu que muitos eleitores progressistas estão descontentes com sua gestão e reconheceu que seu governo não atendeu todas as suas promessas, especialmente no que diz respeito à redução da desigualdade e ao acesso à habitação.
“Entendo a indignação diante da forma como os interesses das pessoas comuns são ignorados em benefício de poucos”, comentou ele. Sánchez também ressaltou que sua administração enfrenta “elites econômicas e sociais poderosas que não participam das eleições, mas desejam manter o controle sobre o país”.
Além disso, o primeiro-ministro acusou administrações provinciais lideradas pela direita de obstruir políticas sociais. “Transferimos mais recursos do que nunca para investimentos em saúde, educação e construção de moradias. E eles optaram por privatizar hospitais”, afirmou.
Atualmente, as pesquisas indicam que o Partido Popular (PP) está à frente do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), mas ainda sem votos suficientes para governar sozinho. Nesse contexto, seria necessário um acordo com o Vox, um partido da extrema direita que se posiciona como a terceira força política do país.
Sánchez caracterizou as próximas eleições como uma escolha entre a continuidade das políticas progressistas ou a ascensão da extrema direita ao poder. “Os espanhóis precisarão decidir se querem se juntar a essa onda extrema direita, que provoca retrocessos onde atua, ou se desejam manter a Espanha como um bastião de abertura, justiça social e responsabilidade ambiental”, disse.
Ele finalizou sua fala afirmando: “Faremos todo o possível para merecer sua confiança, recuperar a esperança e voltar a vencer”.
