“Agradeço a vitória à juventude insurgente que se mobilizou em defesa da democracia. Também devo essa conquista às mulheres que se levantaram contra o feminicídio.” Durante a celebração de sua reeleição, Lula expressou gratidão a esses grupos, reconhecendo a importância de quem saiu às ruas, engajou eleitores e participou ativamente para evitar o retorno da extrema direita ao cargo presidencial. O presidente também fez uma menção especial aos idosos que compareceram às urnas e ressaltou o papel fundamental dos jovens que incentivaram seus familiares a votar.
A data de 25 de outubro foi marcada por um alívio e comemoração entre aqueles que se dedicaram intensamente à campanha. Para Rafaela Elisário, presidenta da União da Juventude Socialista (UJS), e Flávia Calé, secretária nacional da Mulher do PCdoB, o resultado evidenciou que a mobilização popular pode alterar os destinos do país. Elas destacam a relevância de suas respectivas categorias e esperam que essa participação ganhe espaço nas decisões do novo governo.
Rafaela Elisário: juventude atuante para transformar a história
A reação ao resultado do primeiro turno foi imediata. Rafaela Elisário relata que os jovens não aguardaram instruções prolongadas para compreender a magnitude da disputa e organizar uma resposta eficaz. Em três semanas de intensa mobilização, estudantes e ativistas estiveram presentes nas ruas e nas mídias sociais, buscando votos para Lula.
“Quando a juventude se junta com uma pauta consistente e demonstra unidade em suas ações, conseguimos mudar até mesmo o curso da história”, afirma.
A presidenta da UJS vê neste movimento uma clara demonstração do potencial político dos jovens. Sua mobilização não se restringiu apenas ao apoio a uma candidatura; envolveu uma luta pelo futuro do Brasil, pela democracia e por melhores condições de vida para todos os cidadãos.
Rafaela acredita que essa vitória abre caminho para avançar na construção de um Brasil autônomo, comprometido com os princípios democráticos e distante do autoritarismo associado ao governo anterior. No entanto, ela ressalta que é preciso enfrentar desafios que impactam diretamente a juventude, como o trabalho precário e a escassez de empregos dignos.
A dirigente defende um modelo desenvolvimento que amplie oportunidades e rompa com a lógica neoliberal, que ainda limita as condições de vida dos trabalhadores. Segundo ela, o próximo governo deve ir além das conquistas já obtidas.
“Este quarto governo precisa ser um governo que trabalhe junto ao povo para implementar transformações estruturais significativas”, afirma.
As expectativas são altas quanto à continuidade da participação ativa observada durante a campanha nas decisões políticas futuras. Rafaela acredita firmemente que os jovens provaram sua capacidade de influenciar os rumos do país e desejam permanecer engajados na construção de um projeto nacional que ofereça perspectivas reais para as novas gerações.
Flávia Calé: mulheres buscam políticas públicas para garantir sua autonomia
Flávia Calé compartilha seu alívio após uma campanha tensa e observa como a mobilização popular foi crucial para garantir a vitória de Lula. “A sensação predominante é de alívio e leveza; podemos finalmente descansar até nos prepararmos para os novos desafios pela frente”, diz Flávia, referindo-se à campanha como “heroica” e “extraordinária”, ressaltando o esforço das mulheres envolvidas na luta pela democracia e na prevenção de retrocessos.
A participação feminina está intrinsicamente ligada à defesa de direitos que impactam diretamente as famílias. Projetos como escolas públicas em tempo integral, Sistema Único de Saúde (SUS), Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida são fundamentais para dividir responsabilidades familiares desigualmente atribuídas às mulheres, além de proporcionarem mais oportunidades educacionais e profissionais.
“Esse segmento entende profundamente a importância de um Estado que investe em serviços públicos e compartilha as responsabilidades do cuidado familiar”, afirma Flávia. Ela sintetiza: “As mulheres brasileiras demandam mais presença do Estado, desejam políticas públicas robustas e investimentos em áreas impactantes para suas vidas.”
Lula também dirigiu um agradecimento às mulheres durante sua comemoração, gerando expectativas sobre como isso se traduzirá em ações concretas no próximo mandato. Flávia sustenta que esse reconhecimento deve resultar em iniciativas específicas voltadas ao combate à pobreza feminina e à violência baseada no gênero.
Dentre as prioridades está o enfrentamento do feminicídio. Para Flávia, é essencial uma resposta coordenada das autoridades no sentido de prevenir esses crimes e proteger as vítimas adequadamente.
“O feminicídio deve ser tratado como uma questão de segurança pública, uma problemática estatal que precisa ser abordada”, defende ela.
A ampliação de creches e serviços voltados ao cuidado infantil também fazem parte dessa agenda prioritária. Enquanto as obrigações domésticas continuarem recaíndo principalmente sobre as mulheres, elas terão menos tempo para estudar ou participar ativamente da vida profissional ou política. Portanto, compartilhar essas responsabilidades é essencial para promover maior autonomia feminina.
A mobilização deve persistir após a vitória
A atuação conjunta de mulheres e jovens durante a campanha reafirma, segundo Flávia, a importância da organização tanto nas ruas quanto nas redes sociais. A dirigente observa que a extrema direita construiu ao longo dos últimos anos uma estrutura digital sólida capaz de manter parte da população isolada em bolhas informativas. O campo progressista ainda necessita evoluir na compreensão das plataformas digitais para aprimorar seu diálogo com esses eleitores.
A experiência adquirida durante a campanha proporcionou aprendizados valiosos sobre comunicação, organização comunitária e participação popular. Lula reconheceu essa força ao agradecer aos militantes envolvidos na campanha, destacando que esse “exército” não deve se dispersar agora. Ele também prometeu alterar sua forma de governar promovendo mais inclusão nas decisões coletivas.
Para Flávia, manter essa mobilização será crucial para avançar pautas dependentes da pressão social, como o fim da jornada exaustiva 6×1.
“O Parlamento ainda responde à pressão popular; precisamos aproveitar este momento”, afirma ela.
Assim sendo, a continuidade da participação política surge como um ponto comum entre as duas dirigentes. Rafaela espera converter o entusiasmo juvenil em desenvolvimento econômico sustentável e soberania nacional; enquanto Flávia anseia por ver o reconhecimento das mulheres se refletir em políticas públicas efetivas contra violência e favorecimento à autonomia feminina.
A recente vitória eleitoral representa não apenas um motivo para celebração mas também é vista por ambas como resultado direto da mobilização coletiva. Agora resta aguardar que tanto mulheres quanto jovens tenham voz ativa no novo governo e vejam suas demandas atendidas nas políticas públicas implementadas no próximo mandato. A campanha demonstrou claramente a capacidade desses grupos em influenciar os direcionamentos nacionais; o desafio será manter essa força viva na construção do Brasil desejado por eles.
