“A surpreendente descoberta da fraude no Master pela gestão de Campos Neto”

A intervenção extrajudicial do Banco Master, determinada em novembro de 2025 pelo Banco Central durante a gestão de Gabriel Galípolo, é o desfecho de um processo de insolvência e fraudes bilionárias que tiveram início em 2019. O episódio foi rotulado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o “ovo da serpente” da administração de Roberto Campos Neto, expondo uma série de negligências e falhas de supervisão que tiveram origem nos primeiros anos do governo Bolsonaro.

A origem da instituição

O Banco Master não surgiu espontaneamente, mas sim a partir da transformação do antigo Banco Máxima. Após duas tentativas de transferência de controle rejeitadas durante a gestão de Ilan Goldfajn, o processo foi agilizado após a posse de Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central, em fevereiro de 2019.

No dia 14 de outubro daquele ano, a Diretoria Colegiada do BC aprovou a transferência do controle para Daniel Vorcaro e dois sócios, com a decisão sendo publicada no Diário Oficial em 24 de outubro. Apesar de todo o processo ter seguido as normas do Conselho Monetário Nacional e do próprio Banco Central, o aval foi dado sem levar em consideração sinais que seriam confirmados posteriormente. A mudança oficial para Banco Master ocorreu em 2021, com foco em crédito consignado e um aporte inicial de R$ 400 milhões.

Alertas ignorados e falhas institucionais

Sinais de irregularidades foram comunicados ao Banco Central em 2023. O advogado Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital, fez uma denúncia formal relatando operações suspeitas com precatórios sem lastro e a existência de um sócio oculto, o empresário Nelson Tanure.

Em seu depoimento à CPI do Crime Organizado, Timerman criticou a inércia do Banco Central e afirmou: “Eu fiz uma denúncia para o Banco Central em 2023 […] se tivessem prestado atenção, teriam evitado”. De acordo com ele, o Banco Master inflava artificialmente seu balanço por meio da compra de ativos desvalorizados que eram revendidos por preços superfaturados, desviando recursos antes mesmo de serem contabilizados na instituição.

Embora a Polícia Federal tenha alertado o BC por escrito em julho de 2024 sobre as fraudes e a presença de donos ocultos, a gestão Campos Neto optou por arquivar as suspeitas sem submetê-las ao colegiado. Em novembro de 2024, o BC assinou um termo de compromisso com Vorcaro para “correções”, porém essa medida se mostrou ineficaz diante da crise iminente.

O colapso e a Operação Compliance Zero

A mudança na postura do Banco Central só ocorreu com a troca de comando. Em 18 de novembro de 2025, o atual presidente Gabriel Galípolo decretou a intervenção extrajudicial da instituição devido à insolvência. No mesmo dia, Daniel Vorcaro foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero.

O desdobramento mais recente ocorreu em março de 2026, com a liquidação do Banco Master Múltiplo, gestor do Will Bank. Os prejuízos, estimados em pelo menos R$ 17 bilhões, revelaram que os ativos do banco estavam inflados, que os balanços não condiziam com a realidade patrimonial, que havia captação irregular de dinheiro com emissão de CDBs sem lastro real e que uma regulação falha permitiu a livre circulação de controladores com histórico de risco.

Desdobramentos na CPI

Registros da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que Vorcaro visitou o Banco Central várias vezes durante a presidência de Campos Neto. Convocado pela CPI do Crime Organizado para esclarecimentos sobre essa proximidade e a falta de fiscalização, Roberto Campos Neto não compareceu, amparado por um habeas corpus do STF, enviando apenas justificativas por escrito.

Tanto o governo quanto parlamentares da base aliada consideram o caso Master como um exemplo de como uma regulação frágil e politicamente influenciada pode prejudicar a estabilidade do sistema financeiro. Segundo o presidente Lula, as consequências do “ovo da serpente” chocado em 2019, que agora recaem sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a sociedade, são resultado direto de uma gestão que ignorou alertas claros em prol de interesses individuais.

By Aconteceu de Fato

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