Bombardeio israelense resulta na morte de família brasileira no sul do Líbano

No último domingo (26), um ataque aéreo realizado por Israel vitimou uma família de brasileiros em Bint Jbeil, no sul do Líbano. O bombardeio resultou na morte de três membros da família Nader, incluindo a brasileira Manal Jaafar, seu filho Ali Ghassan Nader, de apenas 11 anos, e o pai do menino, Ghassan Nader, cidadão libanês. Uma funcionária doméstica etíope que estava na residência durante a explosão também foi confirmada como vítima fatal.

A tragédia ocorreu em um momento em que um cessar-fogo estava em vigor, estabelecido em 16 de abril. A família havia se mudado temporariamente para áreas consideradas mais seguras devido aos conflitos anteriores, mas decidiu retornar brevemente a Bint Jbeil para verificar a condição de sua casa e retirar alguns pertences. Informações de parentes revelam que eles acabavam de tomar café da manhã e estavam organizando suas malas para deixar a casa quando o míssil atingiu o imóvel de três andares. O impacto foi tão intenso que a construção foi completamente destruída, dificultando o resgate dos corpos dos pais, que permaneceram soterrados até esta terça-feira (28).

Resgate e sobrevivência

O único membro da família que sobreviveu ao ataque foi Bassem Nader, de 22 anos, que também possui cidadania brasileira. Ele foi lançado pela força da explosão e sofreu ferimentos que exigiram sua internação em um hospital local. Segundo a Embaixada do Brasil em Beirute, Bassem já recebeu alta após ser estabilizado e está sob acompanhamento consular. O corpo do pequeno Ali Ghassan Nader foi encontrado logo após o bombardeio e seu sepultamento aconteceu em meio à tristeza da comunidade local, enquanto as equipes continuavam os trabalhos para localizar Manal e Ghassan entre os escombros.

Em Foz do Iguaçu, no Paraná, onde parte da família reside, Bilal Nader, tio das crianças falecidas, expressou a dor sentida pelos familiares no Brasil. Ele falou sobre o cenário devastador da casa e mencionou o medo constante enfrentado pelos civis na área afetada pelo conflito. Bilal ressaltou que a família acreditava estar segura devido ao cessar-fogo recentemente acordado; no entanto, a realidade demonstrou uma grave violação desse acordo. A residência da família, antes considerada um refúgio seguro, tornou-se ruínas em questão de segundos, deixando um rastro de luto e indignação.

Condenação diplomática

Na noite de segunda-feira (27), o governo brasileiro divulgou uma declaração oficial através do Ministério das Relações Exteriores. Na nota pública emitida pelo Itamaraty, foram expressos pesar e consternação pelas mortes ocorridas, caracterizando o ataque como uma grave violação do cessar-fogo. O documento menciona que as recentes hostilidades resultaram na morte de dezenas de civis libaneses — incluindo mulheres e crianças — além de uma jornalista e dois integrantes franceses da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).

A posição do governo brasileiro é clara ao condenar todos os ataques realizados durante a trégua por parte tanto das forças israelenses quanto do Hezbollah. Além disso, o Brasil criticou as demolições sistemáticas de residências e infraestrutura civil que têm ocorrido nas últimas semanas no sul do Líbano. A nota reitera a importância do cumprimento integral das resoluções das Nações Unidas e exige a retirada das tropas israelenses do território libanês para interromper o deslocamento forçado de mais de um milhão de pessoas.

O frágil acordo de paz iniciado em abril se revela com os dados divulgados pelo Ministério da Saúde do Líbano, que registrou 14 mortes civis apenas no último domingo (26), considerado o dia mais letal desde o início da trégua. Embora Israel defenda que suas operações visam alvos estratégicos relacionados ao Hezbollah e acuse o grupo libanês de também violar o cessar-fogo, a morte dos cidadãos brasileiros intensifica a pressão internacional sobre as ações militares israelenses. Atualmente, o Líbano abriga aproximadamente 21 mil brasileiros na região do Oriente Médio, muitos vivendo em áreas diretamente impactadas pelos ataques no sul do país e no Vale do Bekaa.

Até agora, não houve manifestação oficial por parte das autoridades israelenses especificamente sobre as mortes da família Nader. O clima permanece incerto enquanto a comunidade internacional observa as tentativas de mediação lideradas por potências estrangeiras para evitar uma escalada mais ampla do conflito na região. Ataques israelenses contra civis durante períodos de cessar-fogo devem ser considerados crimes de guerra.

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By Aconteceu de Fato

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