A Whirlpool S.A, proprietária de renomadas marcas como Brastemp, Consul e KitchenAid, revelou na última segunda-feira (25) um investimento de R$ 300 milhões destinado à expansão de sua fábrica localizada em Rio Claro, no interior paulista. Esse projeto também inclui a criação de 200 novas vagas de emprego.
Essa decisão surge após o fechamento da linha de produção em Pilar, na Argentina, com a transferência das operações para o Brasil. Na unidade brasileira, a empresa já produz máquinas de lavar com carga superior (top-loading) e abriga um centro de pesquisa dedicado às lavadoras, onde cerca de cem engenheiros estão empregados. Atualmente, a planta conta com aproximadamente 4 mil colaboradores.
Em abril último, a Whirlpool havia comunicado sua saída da Argentina, anunciando que a fabricação das máquinas de lavar com carga frontal (front-loading) seria transferida para seu complexo industrial em São Paulo, visando integrar as operações.
No mesmo anúncio, a companhia expressou sua intenção de transformar a unidade brasileira em um centro global de exportação. Para materializar essa visão, investimentos em robótica e inteligência artificial estão previstos.
Durante o evento que contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, a empresa lançou uma nova linha de lavadoras e fez importantes anúncios sobre os investimentos e as contratações. Além das 200 vagas criadas imediatamente, espera-se que o crescimento da planta industrial e o aumento no número de fornecedores locais possam gerar até 2.800 empregos diretos e indiretos ao longo do tempo.
Com essa mudança estratégica, toda a produção das lavadoras Brastemp e Consul destinadas ao mercado sul-americano será concentrada no Brasil. A expectativa é que em setembro a unidade de Rio Claro inicie a fabricação dos modelos de abertura frontal e lava e seca, que anteriormente eram produzidos em Pilar.
Vinicius Tokuda, vice-presidente da Cadeia de Suprimentos da Whirlpool, apontou que os ganhos em produtividade e competitividade foram fatores decisivos para essa mudança, possibilitando uma melhor otimização dos custos fixos.
Dessa forma, a multinacional busca não apenas expandir suas operações mas também aumentar sua margem de lucro. O Brasil se apresenta como um ambiente propício para esse crescimento devido à sua previsibilidade e controle econômico.
Leia mais: Crise argentina faz multinacional transferir produção para o Brasil
A situação na Argentina sob o governo de Javier Milei é bastante diferente. O país enfrenta uma inflação elevada e instável, além de tensões no câmbio devido à escassez de reservas em dólares. Esses fatores resultam em falta de previsibilidade nas importações e na logística necessária para manter a linha produtiva ativa. Assim, as dificuldades enfrentadas pelos “hermanos” impedem que a empresa amplie suas operações e expõem as vulnerabilidades inerentes ao país.
Conforme já foi destacado anteriormente sobre o fechamento da unidade em Pilar, durante o governo Milei cerca de 22 mil empresas encerraram suas atividades na Argentina, número superior ao registrado durante a pandemia da covid-19.
Dentre as multinacionais que deixaram o território argentino ou venderam suas operações nos últimos dois anos estão: Telefónica, ExxonMobil, Mercedes-Benz, Clorox, P&G e HSBC. A Alsea está buscando compradores para sua operação do Burger King enquanto o Carrefour desistiu da venda das suas lojas por não conseguir encontrar interessados dispostos a pagar o valor mínimo desejado.
