O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou sua ameaça em relação a Cuba nesta segunda-feira (16), afirmando que poderia “tomar” a ilha e agir conforme sua vontade.
Essas declarações surgem em meio à extensão da guerra contra o Irã, o aumento dos custos econômicos do conflito e a crescente dificuldade de Washington em obter apoio internacional para suas ações militares.
Essas afirmações representam mais um capítulo na intensificação da pressão sobre Havana, que se intensificou desde o final de 2025 e ganhou força após a ofensiva militar contra a Venezuela em janeiro.
Trump anunciou um bloqueio de petróleo à ilha em janeiro, cortando o acesso a combustíveis e agravando uma crise energética que já afeta setores fundamentais da economia cubana.
Durante uma declaração na Casa Branca, Trump caracterizou Cuba como um país “muito enfraquecido” e manifestou abertamente sua defesa de uma possível intervenção.
No final de janeiro, Trump emitiu uma ordem executiva declarando estado de emergência nacional e classificando Cuba como uma “ameaça extraordinária e incomum”. Isso abriu caminho para sanções contra países que fornecem petróleo a Havana, interrompendo o fluxo de combustíveis e agravando a escassez.
As autoridades cubanas relatam que o país está há mais de três meses sem receber carregamentos de petróleo, o que já está impactando o funcionamento de serviços essenciais, como transporte, distribuição de alimentos, educação e assistência médica, além de causar uma retração na atividade econômica.
O bloqueio imposto por Washington intensifica um quadro de restrições que existe há décadas e é visto por especialistas e organizações internacionais como uma forma de punição coletiva.
Essas medidas afetam diretamente a população civil ao comprometer o abastecimento de energia e a capacidade de funcionamento de setores vitais da sociedade cubana.
Trump declarou recentemente que o país está “no fim da linha” e condicionou um possível acordo à aceitação de exigências dos EUA. No domingo (15), reiterou que “ou haverá um acordo em breve ou faremos o que for necessário”, mantendo aberta a possibilidade de uso da força.
Essas ameaças ocorrem ao mesmo tempo em que ocorrem contatos diplomáticos iniciais entre os dois países. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, confirmou na sexta-feira (13) a existência de conversações preliminares sobre divergências bilaterais, além de anunciar a libertação antecipada de 51 detentos, em acordo com o Vaticano.
Guerra no Irã se prolonga e amplia isolamento de Washington
A nova escalada retórica contra Cuba coincide com o impasse enfrentado pelos Estados Unidos na guerra contra o Irã. Trump adiou novamente as previsões sobre o fim do conflito, que já passou por várias estimativas nas últimas semanas, sem apresentar uma data clara de encerramento.
A resistência dos aliados históricos dos EUA em aderir à ofensiva está crescendo. Países europeus têm enfatizado que não pretendem se envolver diretamente no conflito, priorizando a redução das tensões e a manutenção da liberdade de navegação, especialmente no Estreito de Ormuz.
A dificuldade de Washington em obter apoio internacional se junta ao impacto militar da guerra. Ataques iranianos têm atingido posições americanas, resultando em vítimas entre as tropas dos EUA. O conflito também tem gerado custos bilionários em poucos dias, intensificando a pressão sobre a economia americana.
Internamente, o governo enfrenta uma série de desafios. O aumento nos preços da energia, a instabilidade nos mercados, o aumento do desemprego e decisões judiciais desfavoráveis têm contribuído para a queda nos índices de aprovação do presidente.
A divisão dentro de sua base política e no movimento MAGA também está crescendo.
Essa situação aumenta as incertezas sobre o desempenho dos republicanos nas eleições de meio de mandato e destaca as dificuldades do governo em sustentar sua agenda interna e externa.
No entanto, Trump continua pressionando Cuba e intensificando medidas que agravam a crise na ilha.
