O debate em torno do fim da escala 6×1 no Brasil tem revelado um fosso profundo entre as demandas sociais por dignidade e o que especialistas classificam como “terrorismo econômico” articulado por entidades empresariais. Em um esforço de mobilização retórica, tais federações projetam colapsos sistêmicos, que são desmontados por uma nota técnica do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp.
Previsões de impactos negativos foram feitas no passado contra medidas como o 13º salário e a valorização do salário mínimo, as quais geraram crescimento e estabilidade ao invés do caos. No campo dos custos operacionais, o argumento empresarial ignora dados contábeis acumulados e a existência de “gordura” financeira que nunca foi repassada aos trabalhadores.
Além disso, a projeção de que milhões de empregos seriam perdidos com o fim da escala 6×1 é rebatida pelo potencial de geração de novos postos de trabalho com escalas alternativas. A informalidade no mercado de trabalho não é causada pela concessão de direitos laborais, mas sim por fatores estruturais e históricos.
O Brasil já possui uma das maiores cargas horárias do planeta e baixa produtividade, demonstrando que a competitividade não está diretamente relacionada a regimes de exaustão. O uso das Micro e Pequenas Empresas como argumento contra o fim da escala é questionado, mostrando que a saúde pública e a distribuição equitativa dos ganhos tecnológicos são mais importantes.
A proposta de fim da escala 6×1 se apresenta como uma necessidade civilizatória, modernizando as relações de trabalho e fortalecendo a economia real. O alarmismo dos empresários não se sustenta diante dos argumentos apresentados.
