O economista Christopher Pissarides considera que a produtividade no Brasil pode aumentar com a diminuição da carga semanal de trabalho de 44 para 40 horas e o término do regime de seis dias trabalhados seguidos por um dia de descanso.
Ele menciona, como exemplo, a França, onde a jornada foi limitada a 35 horas por semana.
Pissarides afirma em entrevista à Folha de S.Paulo: “Não é raro que a produtividade por hora cresça quando se reduz as horas de trabalho. Essa foi a experiência observada na França. Acredito que, mais do que uma possibilidade, é bastante provável que a produtividade aumente ao se ter menos horas disponíveis para trabalhar.”
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<pEle ressalta que a França serve como um bom exemplo nesse contexto. “No início, houve resistência e críticas à política de redução das horas trabalhadas na França. Contudo, ficou evidente que essa mudança poderia ser integrada ao mercado de trabalho com mais facilidade do que muitos previam”, observa.
Quando indagado sobre preocupações relacionadas ao aumento da inflação e ao impacto no crescimento do PIB, Pissarides expressa ceticismo em relação a esses argumentos caso a jornada seja encurtada.
“Não creio que isso geraria inflação. Pode haver algum ajuste nos preços, mas não seria algo significativo. Já ouvi essa justificativa anteriormente e nunca realmente acreditei nela. A inflação envolve outras questões e deve ser administrada pelo banco central através de sua política monetária”, argumenta.
Ele explica ainda que fatores como os custos das matérias-primas, como o petróleo, podem influenciar a inflação, especialmente com as flutuações dos preços internacionais decorrentes de eventos no Oriente Médio.
“Esse tipo de situação sim pode provocar inflação. No entanto, não vejo uma redução nas horas de trabalho em um país como causadora desse fenômeno. O banco central deveria conseguir controlar os preços mesmo diante dessa circunstância”, acrescenta.
Brasil
Pissarides demonstra estar atento aos debates em andamento no Brasil. “A forma como se distribuem essas horas é uma questão de escolhas sociais e políticas. Estou ciente das controvérsias existentes no país”, afirma.
Segundo ele, esse não é um tema simples para rotular como bom ou ruim, pois depende de diversas condições. Entretanto, sugere uma reflexão sobre o passado.
“Historicamente, as jornadas de trabalho têm diminuído. Há duas décadas costumávamos trabalhar mais horas ao longo do ano e há cinquenta anos isso era ainda mais acentuado”, recorda.
