No início de 2026, as vendas de petróleo do Brasil para a China atingiram níveis históricos, conforme informações do CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China). Durante os três primeiros meses do ano, o valor das exportações quase duplicou em relação ao mesmo período do ano anterior, com um impressionante aumento de 122% no volume enviado.
Esse crescimento nas exportações de petróleo contribuiu para que o total das vendas brasileiras à China subisse 21,7%, alcançando a cifra recorde de US$ 23,9 bilhões no primeiro trimestre deste ano.
Consequentemente, a corrente comercial entre Brasil e China teve um incremento de 8,1%, estabelecendo um novo marco de US$ 41,8 bilhões. O saldo comercial brasileiro foi favorável em US$ 6 bilhões.
Estreito de Ormuz
A significativa performance nas exportações é atribuída ao fechamento do estreito de Ormuz pelo Irã, que ocorreu após o país se envolver em um conflito com os Estados Unidos e Israel. Aproximadamente 40% do petróleo consumido pela China transita por essa rota. Diante da crise na região, novas fontes de importação passaram a ser procuradas.
O Brasil se destacou como um fornecedor estratégico para atender essa demanda crescente, resultando em exportações recordes de petróleo bruto para o país asiático, que totalizaram US$ 7,19 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Esse valor quase dobrou em comparação aos US$ 3,7 bilhões registrados nos primeiros três meses de 2025.
No que diz respeito ao volume exportado, a alta de 122% representa um aumento significativo, passando de 7,4 mil toneladas para 16,5 mil toneladas.
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A participação do petróleo brasileiro nas exportações destinadas à China subiu para 30,1%, marcando uma elevação de 11,2 pontos percentuais em comparação ao primeiro trimestre do ano passado. Além disso, o país asiático adquiriu impressionantes 57% das exportações nacionais da commodity no início deste ano; somente em março esse percentual chegou a 65%, coincidindo com o início da guerra no Oriente Médio em 28 de fevereiro.
“Esse movimento está diretamente relacionado à busca da China por maior segurança energética. O atual cenário de conflito no Oriente Médio e a instabilidade no Estreito de Ormuz tornam essa estratégia ainda mais pertinente e urgente”, comenta Aldren Vernersbach, economista-chefe do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), conforme registrado no documento do CEBC.
As informações também indicam que as vendas brasileiras de petróleo foram impulsionadas pela demanda chinesa e conseguiram alcançar outros mercados. O valor total exportado globalmente foi registrado em US$ 12,6 bilhões no trimestre — um crescimento de 31% em relação ao mesmo período anterior e um aumento expressivo de 50% no volume enviado. A Índia também se destacou com US$ 1 bilhão em exportações e um crescimento notável de 78% na quantidade da commodity.
Demais produtos
Além do petróleo, houve um aumento significativo nas exportações brasileiras para a China entre janeiro e março nas seguintes categorias: carne bovina (16%), celulose para dissolução (29,3%), ferroligas (94%) e algodão (163%). Em contrapartida, as vendas de minério de cobre apresentaram uma queda expressiva (-45%). Esses dados estão contidos no CEBC Alerta divulgado em abril.
