A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, enfrentou uma derrota política significativa nesta segunda-feira (23) com a rejeição da reforma do Judiciário proposta por sua coalizão de ultradireita em um referendo nacional.
Com 53,7% dos votos contra a reforma e uma participação de 58,9%, o resultado representou um revés para a primeira-ministra, que havia se envolvido pessoalmente na campanha em favor da mudança.
A proposta de reforma, que buscava modernizar instituições, incluía a separação das carreiras de juízes e promotores, a divisão do Conselho Superior da Magistratura em dois órgãos e a criação de uma Alta Corte disciplinar.
O resultado do referendo revelou a fragilidade política de Meloni em um momento importante, no contexto da preparação para as eleições na Itália.
O “não” obteve mais apoio nas grandes cidades, no sul do país e entre os eleitores jovens, expondo a vulnerabilidade política de Meloni.
O resultado final indicou uma vantagem clara do “não”, com 53,7% dos votos (14,4 milhões) contra 46,3% do “sim” (12,4 milhões), uma diferença de aproximadamente 2 milhões de votos. A participação foi alta, alcançando 58,9%.
O “não” prevaleceu em grande parte do território italiano, inclusive em regiões governadas pela direita, e obteve uma vantagem significativa nas principais cidades como Nápoles, Roma, Milão e Florença.
Os eleitores mais jovens, com mais de 60% dos votos, rejeitaram a proposta de reforma, enquanto os eleitores mais velhos mostraram um nível relativamente mais alto de apoio, indicando uma divisão geracional em relação à proposta governamental.
A primeira-ministra expressou sua decepção com o resultado em um vídeo nas redes sociais, afirmando que “os italianos decidiram e nós respeitamos essa decisão”.
O secretário-geral da Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL) destacou a alta participação no referendo e enfatizou a importância do voto como instrumento central da democracia, afirmando que o resultado reflete a recusa do país em aceitar mudanças na Constituição e a exigência de sua aplicação integral.
Ele também ressaltou a importância da autonomia e independência do poder judiciário para o funcionamento democrático, declarando que “a lei é igual para todos”.
