Progresso nas negociações entre EUA e Irã esbarra em entraves para declaração de paz definitiva

As recentes comunicações de Washington e Teerã sugerem progresso nas tratativas para finalizar o conflito que teve início em fevereiro, embora ambas as partes ainda evitem declarar um acordo próximo.

Um dos principais desafios diz respeito a interesses estratégicos divergentes, a pressão exercida por Israel, a discussão sobre o programa nuclear do Irã, o controle do Estreito de Ormuz e a instabilidade política interna nos Estados Unidos.

Nesta segunda-feira (25), Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, mencionou que os negociadores chegaram a “conclusões sobre muitos dos tópicos abordados”, mas negou que a assinatura de um pacto esteja próxima.

Ele observou que a formulação da política externa dos EUA se caracteriza por uma “hesitação institucionalizada” e constantes mudanças de postura.

No lado americano, o presidente Donald Trump alterna entre mensagens otimistas e ameaças. Em suas redes sociais, declarou que o acordo será “grandioso e significativo” ou “não haverá acordo algum”.

O secretário de Estado, Marco Rubio, também se manifestou, afirmando que Washington está disposto a dar “todas as chances possíveis à diplomacia”, mas adverte sobre “outros caminhos” caso as tratativas falhem.

Programa nuclear como foco central das disputas

A questão mais delicada nas negociações permanece sendo o futuro do estoque iraniano de urânio altamente enriquecido.

Informações de autoridades americanas indicam que o Irã estaria disposto a “em princípio” reduzir ou eliminar esse material em troca da suspensão do bloqueio naval imposto pelos EUA e da revogação de sanções econômicas.

No entanto, ainda não há um consenso sobre como essa redução seria implementada. O governo iraniano rejeita a entrega do material aos Estados Unidos ou à Rússia e defende manter um certo nível de capacidade nuclear interna.

Representantes iranianos argumentam que opções como a diluição do urânio ou uma pausa temporária no enriquecimento são as únicas aceitáveis.

Além disso, Baghaei enfatizou que as negociações atuais priorizam o encerramento da guerra e a reabertura das rotas comerciais, ao invés de uma renegociação abrangente do programa nuclear iraniano.

De acordo com ele, os aspectos nucleares seriam discutidos em um novo cronograma diplomático posterior.

Estreito de Ormuz como ponto crucial das conversas

Outro aspecto vital nas negociações é o Estreito de Ormuz, uma rota marítima pela qual transita cerca de 20% do petróleo mundial.

A partir do início do conflito, o Irã impôs restrições severas à navegação na área, enquanto os EUA intensificaram seu bloqueio aos portos iranianos.

A reabertura dessa via marítima é considerada uma prioridade essencial por Washington devido ao impacto econômico global gerado pela guerra. A crise elevou os preços do petróleo e pressionou a inflação internacional, além de aumentar os custos de combustíveis, alimentos e fertilizantes.

Teerã afirmou que está disposta a garantir a navegação na região, mas busca implementar um novo sistema de controle e serviços marítimos em colaboração com Omã.

Embora o governo iraniano não aceite a terminologia “pedágio” para embarcações estrangeiras, admite cobrar taxas relacionadas à navegação e à proteção ambiental local.

A proposta gera preocupação entre países europeus e monarquias do Golfo Pérsico, que temem um aumento da influência iraniana sobre uma das rotas energéticas mais relevantes do mundo.

Pressão israelense contra um entendimento com Teerã

As negociações também enfrentam crescente resistência dentro de Israel. Autoridades iranianas acusam abertamente o governo israelense de tentar sabotar qualquer acordo entre Washington e Teerã.

Conforme reportado por fontes locais, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu teria reconhecido para aliados que Israel atualmente possui pouca capacidade de influenciar as decisões de Trump em relação à guerra.

Enquanto isso, Yair Lapid, líder da oposição israelense, descreveu um possível acordo como “desfavorável para a região” e afirmou que Israel se encontra em um “mínimo histórico” em termos de influência política em Washington.

A tensão aumentou porque as discussões atuais não contemplam medidas contra o programa de mísseis iraniano nem contra os grupos aliados ao Irã no Oriente Médio – assuntos considerados essenciais por Israel.

Tentativa de Trump em vincular acordos regionais

Um fator adicional complicador para as negociações é a tentativa de Trump em atar o acordo com o Irã à expansão dos Acordos de Abraão.

O presidente norte-americano começou a pressionar países como Arábia Saudita, Catar, Paquistão, Egito e Turquia para estabelecer relações diplomáticas com Israel como parte da reestruturação regional pós-guerra.

Todavia, essa proposta enfrenta forte resistência no Oriente Médio devido ao agravamento da situação em Gaza, que intensificou a rejeição popular à aproximação com Israel.

Diplomatas e analistas afirmam que não existe vontade política real para uma adesão coletiva aos acordos propostos por Trump.

By Aconteceu de Fato

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