O rendimento médio mensal dos brasileiros atingiu R$ 3.367 em 2025, marcando um novo recorde desde o início da série histórica em 2012. Este aumento de 5,4% em comparação a 2024 representa o quarto ano consecutivo de crescimento nos rendimentos do País, conforme informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esses dados foram apresentados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua), que foi divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (8).
A análise revela que, quando comparado ao período anterior à pandemia, o crescimento é ainda mais significativo. O rendimento médio, que inclui tanto os salários quanto outras fontes de renda, superou em 8,6% o que foi registrado em 2019 e ficou 12,8% acima do nível observado em 2012, segundo o Instituto.
Conforme os resultados da Pnad-Contínua, cerca de 67% da população brasileira recebe algum tipo de rendimento, totalizando aproximadamente 143 milhões de pessoas. Este índice é superior ao registrado em 2024 e representa o maior número desde o início da pesquisa.
Para 47,8% dos brasileiros, a principal fonte de renda provém do trabalho, com uma variação positiva de 0,7 ponto percentual (p.p.) em relação ao ano anterior. Outros 27% da população obtêm rendimento através de aposentadorias, pensões e programas sociais do governo, apresentando um leve aumento de 0,6 p.p. se comparado a 2024.
Os dados também indicam que a massa de rendimento mensal real totalizou R$ 361,7 bilhões em 2025. Este valor representa um crescimento real de 7,5% em relação a 2024 e um aumento impressionante de 23,5% quando comparado a 2019.
“Com os resultados apresentados no último ano, já são quatro anos seguidos com crescimento na massa de rendimento do trabalho superando a taxa anual de 6%. Esse avanço deve-se principalmente à elevação do rendimento médio dos trabalhadores e ao aumento da população ocupada com renda, que chegou a 101,6 milhões”, afirma o IBGE.
Outro marco
A Pnad-Contínua também registrou um recorde no rendimento médio mensal real domiciliar per capita, que alcançou R$ 2.264. Isso representa um incremento de 6,9% em comparação a 2024 e uma alta acumulada de 18,9% entre os anos de 2019 e 2025.
No total dos rendimentos considerados para todos os trabalhos realizados em domicílios, estes representaram cerca de 75% do rendimento médio mensal real domiciliar per capita, mantendo-se estáveis em relação ao ano anterior.
A pesquisa revelou ainda que as famílias que recebiam algum tipo de benefício social do governo tiveram um rendimento médio equivalente a R$ 886. Esse valor corresponde a um terço do rendimento médio das famílias não abrangidas por programas sociais, que foi de R$ 2.787.
Desigualdade
Analisando as questões relacionadas à desigualdade social, os dados mostraram uma relativa estabilidade no último ano. O índice de Gini para o rendimento do trabalho foi estimado em 0,491 – próximo ao índice registrado em 2024 (0,487) – e inferior aos níveis observados nos dois anos anteriores à pandemia (0,506).
O índice Gini referente ao rendimento domiciliar per capita apresentou uma leve alteração: passou de 0,504 em 2024 para 0,511 no último ano; no entanto, continua abaixo dos níveis registrados em 2019 (0,543) e durante todo o período pré-pandemia. Esse índice indica que valores mais próximos a zero representam maior igualdade e aqueles mais próximos a um refletem maior desigualdade.
Segundo informações do IBGE: “A análise sobre a distribuição da renda revela que embora tenha havido uma diminuição na desigualdade em comparação aos anos anteriores à pandemia, essa ainda permanece elevada. Em termos de rendimento domiciliar per capita em 2025, os grupos com os maiores rendimentos – correspondendo aos top 10% – receberam em média até 13 vezes mais do que os menores rendimentos (40%). Além disso, esse mesmo grupo detinha cerca de 40% da massa total dos rendimentos domiciliares.”
