Taxa de desemprego no Brasil alcança níveis mais baixos desde 2012, enquanto salários batem recorde

No fechamento do primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou uma taxa de desemprego de 6,1%, a mais baixa para esse período desde o início da série histórica em 2012. Esse resultado foi alcançado apesar de um leve aumento de um ponto percentual em relação aos três meses anteriores. Além disso, houve um recorde no rendimento médio dos trabalhadores.

Os dados foram extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que foi divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (30).

Conforme Adriana Beringuy, coordenadora das pesquisas domiciliares do IBGE, “a diminuição no número de trabalhadores ocorreu em setores onde esse comportamento é comum, seja pela tendência sazonal de queda no comércio ou pela dinâmica de encerramento de contratos temporários nas áreas de educação e saúde do setor público municipal”.

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<pNeste contexto, a Pnad revelou que o total de trabalhadores no país ficou em 102 milhões, apresentando uma queda de 1% (equivalente a 1 milhão) em relação ao trimestre anterior, mas ainda assim representando um aumento de 1,5% (ou 1,5 milhão) comparado ao mesmo período em 2025.

A população desempregada totalizou 6,6 milhões durante o intervalo analisado, com um aumento significativo de 19,6% (ou 1,1 milhão) no trimestre. Contudo, na comparação anual, houve uma redução de 13% (equivalente a menos 987 mil pessoas) entre aqueles que estavam à procura de trabalho.

Recorde nos rendimentos

Segundo a Pnad, os salários dos trabalhadores apresentaram um desempenho positivo. A massa salarial média real alcançou um novo recorde no primeiro trimestre com R$ 374,8 bilhões. Esse valor demonstra estabilidade em relação aos três meses anteriores e um crescimento anual de 7,1% (adicionando mais R$ 24,8 bilhões).

Em relação ao rendimento médio real habitual dos trabalhadores, foi constatado outro recorde com R$ 3.722. Este montante reflete uma alta tanto trimestralmente (1,6%) quanto anualmente (5,5%), já considerando a inflação nos dois períodos.

Comparando ao trimestre anterior, notou-se um aumento nos rendimentos médios em dois dos dez grupos analisados: o comércio cresceu 3% (o que representa R$ 86 a mais), enquanto a administração pública teve um incremento de 2,5% (mais R$ 127). Os demais setores não mostraram variações significativas.

A pesquisadora destaca que “o aumento nos rendimentos ocorreu em atividades que diminuíram a proporção de trabalhadores informais ou formais com salários mais baixos. Assim sendo, relativamente à comparação trimestral que tinha maior participação da ocupação informal, a média do rendimento atual registrou alta”.

Menor informalidade

O IBGE também identificou uma leve diminuição na taxa de informalidade dos trabalhadores. Essa taxa caiu de 37,6% (38,7 milhões) para 37,3% (38,1 milhões). Quando comparado ao primeiro trimestre de 2025, o recuo foi ainda mais acentuado: naquele período a taxa era de 38% (38,2 milhões).

No setor privado sem carteira assinada houve uma redução de 2,1% (menos 285 mil pessoas), totalizando agora 13,3 milhões. Em termos anuais, essa métrica não apresentou alteração estatisticamente significativa.

Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado (excluindo os domésticos) somaram 39,2 milhões. Segundo o IBGE, isso indica que não houve variações consideráveis no trimestre; porém houve um crescimento anual de 1,3%, equivalente a mais 504 mil pessoas com contratos formais.

A quantidade de trabalhadores autônomos permaneceu estável em torno de 26 milhões; contudo houve um aumento percentual anual de 2,4% (607 mil pessoas).

Recorte por segmento

Analisando os segmentos econômicos específicos na pesquisa realizada pelo IBGE , observou-se que dois grupos tiveram aumentos no número total de ocupados se comparados ao mesmo trimestre do ano anterior: informação e comunicação e atividades financeiras e administrativas cresceram em conjunto por volta de 3,2% (406 mil pessoas), enquanto a administração pública teve uma elevação ainda maior de 4,8% (860 mil pessoas). O único grupo que apresentou queda foi o dos serviços domésticos com redução significativa de cerca de 3,6% (menos 202 mil pessoas).

A coordenadora do IBGE ressaltou que as perdas em empregos refletem características típicas desse período e ocorreram principalmente nas seguintes frentes: comércio (-1,5%), administração pública (-2,3%) e serviços domésticos (-2,6%). Na comparação trimestral esses setores somaram cerca de menos 870 mil postos disponíveis.

By Aconteceu de Fato

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