Alunos da UFF festejam triunfo de Lula e se mobilizam contra a extrema direita nas ruas

A juventude que teve papel crucial na reviravolta das eleições continua a se mobilizar. Três semanas após liderarem a primeira manifestação estudantil em apoio à reeleição do presidente Lula (PT), alunos da Universidade Federal Fluminense (UFF) voltaram às ruas de Niterói, Rio de Janeiro. O objetivo agora é comemorar a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) e reafirmar que a mobilização social será um fator importante contra a extrema direita.

Na última segunda-feira (26), centenas de estudantes saíram da Faculdade de Direito, localizada no Ingá, em direção à reitoria, em Icaraí. Entre gritos de celebração como “Olê, olê, olá, Lula, Lula” e bandeiras erguidas, o ato se transformou em uma manifestação política de resistência. Para esses jovens, vencer o bolsonarismo nas eleições foi um passo significativo, mas a defesa da democracia requer uma organização contínua.

João Paulo Pimenta, de 22 anos e diretor-executivo do Centro Acadêmico Evaristo da Veiga da UFF, ressaltou: “Estamos aqui para mostrar à extrema direita que seremos um obstáculo. Enquanto houver movimento estudantil e estudantes unidos, eles não alcançarão seus objetivos sem enfrentamento.”

A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, lembrou com entusiasmo que o “Tsunami da Esperança” teve início em Niterói. “Hoje retornamos para celebrar essa mudança histórica que inspirará pessoas ao redor do mundo! Nunca duvidem da força do povo brasileiro e dos estudantes! Continuaremos nas ruas pela educação e pela democracia!”, declarou.

A indignação gerou mobilização nacional

O primeiro ato de protesto ocorreu na própria universidade no dia seguinte ao primeiro turno das eleições, em 5 de outubro. Os estudantes expressaram sua frustração com os resultados e rapidamente a iniciativa ganhou força através de grupos no WhatsApp, atraindo alunos de diversas faculdades.

Pela manhã, a convocação começou a ser disseminada e à tarde o número de participantes superou as expectativas. Segundo informações locais, moradores também se juntaram à manifestação.

Luísa Valentina destacou a importância de reagir rapidamente após os resultados eleitorais indesejados dizendo que “precisávamos agir para não permitir que o sentimento de desesperança tomasse conta”.

Os organizadores afirmam que quase três mil pessoas participaram do primeiro ato e no dia seguinte o número cresceu ainda mais com a adesão de outras universidades pelo Brasil afora e movimentos sociais que impulsionaram a campanha presidencial na reta final.

Jonas Barreto comentou sobre como o medo da vitória da extrema direita se transformou em uma força coletiva entre os estudantes na UFF ao afirmar que “a esperança foi acesa por meio dessa mobilização”.

A luta segue além da vitória

A luta dos estudantes também remete aos ataques à educação pública durante o governo Jair Bolsonaro em um contexto onde a UFF enfrentou cortes orçamentários considerados injustificados pela administração anterior.

Esses cortes colocaram em risco o funcionamento da universidade e ameaçaram bolsas essenciais para alunos negros e oriundos de comunidades periféricas.

Isabella Cardoso recordou esse período desafiador afirmando que “não podíamos deixar isso acontecer novamente”, levando os alunos a se organizarem urgentemente para protestar.

A recente vitória eleitoral representa um respiro para muitos ativistas políticos que reconhecem que as ameaças da extrema direita ainda persistem no Congresso Nacional.“Não podemos nos acomodar porque Lula venceu”, enfatizou João Paulo Pimenta ao defender uma permanência ativa da juventude nas ruas e universidades.

No ato desta segunda-feira (26), Luisa Muller também fez um apelo por uma continuidade na organização popular ao afirmar que “esse levante iniciado em Niterói trouxe esperança ao país e não pode terminar”. Ela enfatizou a necessidade da presença constante dos estudantes nas ruas para garantir a posse do presidente Lula.

A deputada federal Jandira Feghali também elogiou o papel fundamental dos jovens na reeleição do presidente destacando sua resistência contínua pela legitimidade do resultado eleitoral ao dizer que “a luta dos estudantes é pela democracia”. Ela expressou emoção ao ver os estudantes na mesma cidade onde tudo começou agora celebrando essa conquista.

Promoção da participação ativa nas decisões políticas

A mobilização busca também ampliar o envolvimento popular nas decisões do novo governo conforme defendeu Pimenta sugerindo um diálogo constante entre Lula e movimentos sociais bem como organizações estudantis.

Para ele é vital que as demandas sociais sejam ouvidas atentamente para serem convertidas em políticas públicas efetivas.

Lula reconheceu publicamente a atuação jovem durante seu discurso após vencer as eleições no dia (25). “Um agradecimento especial à juventude brasileira”, disse ele durante sua fala emocionada ao agradecer todo apoio recebido durante sua campanha.

A jornada dos estudantes desde a indignação até a celebração demonstra seu poder organizacional coletivo sendo fundamental manter essa energia viva em prol da defesa democrática e dos direitos educacionais.

__

com agências

By Aconteceu de Fato

Confira!