Alunos intensificam ação de apoio a Bouchana, prisioneiro político saharaui

A Mostra Contos de Resistência, promovida pela União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (Umes), que ocorreu neste sábado (16), começou com uma expressiva demonstração de apoio ao preso político saarauí Mohamed Bouchana. O ativista se encontra detido de forma injusta desde o dia 27 de janeiro, a pedido da monarquia marroquina, no aeroporto internacional de Guarulhos.

Guilherme Lima, diretor de Cultura da Umes, destacou a conexão entre a luta do povo negro e a situação da República Árabe Saarauí Democrática (RASD), mencionando que a realidade enfrentada por eles é semelhante à da Palestina, sob ocupação. “Assim como Israel, o Marrocos exerce uma dominação opressora sobre o território,” afirmou.

Durante sua fala, Guilherme também deu boas-vindas à jovem Ibtissam Wiklandoour, esposa de Mohamed, e convocou todos os presentes a unirem-se à luta anticolonial do povo saarauí, que vive sob ocupação ilegal desde 1975.

Mohamed Bouchana tem enfrentado diversas perseguições e torturas devido à sua militância em prol da independência. Não há registros de acusações contra ele além de sua defesa pelos direitos humanos. Ele obteve legalmente um passaporte emitido pelo governo marroquino enquanto residia na Mauritânia e passou pelos aeroportos internacionais daquele país, além de Tunísia, Dubai e Etiópia antes de chegar a Guarulhos, onde foi surpreendido por um “alerta vermelho” emitido contra ele.

Após meses detido na área restrita do aeroporto paulista, o ativista foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Em seu pedido de asilo, os advogados destacam que Mohamed está exposto a perigos significativos. Eles mencionam que ele é colaborador da organização política Coordination Kdim Izik, que visa promover o direito à autodeterminação e reclamar pela soberania do povo saarauí. Além disso, ressaltam sua participação em manifestações pela causa saarauí, documentadas por fotografias. Em 2010, ainda menor de idade, ele sofreu represálias e foi preso ilegalmente por exercer seu direito à livre manifestação contra a ocupação marroquina.

“A última colônia da África”

A professora Monica Fonseca Severo comentou sobre as ricas reservas do território do Saara Ocidental — conhecido como “a última colônia da África” — incluindo fosfatos, pesca e terras férteis para cultivo. “O conceito de ocupação é sinônimo de pilhagem,” afirmou ela.

Em novembro de 2025, Monica integrou uma brigada de solidariedade ao povo saarauí e relatou ter testemunhado as dificuldades enfrentadas na resistência justa do povo do deserto. De campos de refugiados originam-se ações armadas; aqueles vivendo em territórios ocupados lidam diariamente com violências severas: exibir uma bandeira da RASD pode resultar em sequestros ou desaparecimentos.

A ocupação imposta pelo Marrocos possui apoio do Mossad (serviço secreto israelense), das forças militares dos Estados Unidos e mercenários. “A monarquia marroquina construiu o maior muro segregacionista do mundo, com 2.750 quilômetros equipados com radar moderno e campos minados, além de contar com um exército composto por 150 mil soldados. Mesmo diante disso, os valorosos combatentes saarauís têm alcançado vitórias consideráveis nos conflitos,” lembrou Monica ao final. Ela concluiu enfatizando a necessidade urgente de cumprir as resoluções das Nações Unidas e respeitar a soberania e autodeterminação do povo saarauí.

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By Aconteceu de Fato

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