Nesta segunda-feira (18), o governo iraniano anunciou a criação da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, um novo órgão destinado à supervisão, regulamentação e cobrança de taxas sobre o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, que é uma das vias comerciais mais importantes do mundo. A informação foi divulgada pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional, que é a principal entidade responsável pela segurança do país e pela atualização sobre questões operacionais na região.
Com essa nova estrutura, o Irã reforça seu controle administrativo e militar sobre o estreito, que é responsável por aproximadamente 20% do petróleo e gás natural liquefeito global. Para transitar por essa via, todas as embarcações comerciais precisarão obter autorização prévia da nova agência. O processo inclui a apresentação de uma declaração detalhada que abrange informações sobre a embarcação, histórico do navio, nacionalidade da tripulação, proprietários e especificações completas da carga.
Segundo operadores do setor de inteligência marítima internacional, qualquer erro ou falta de informações pode resultar em restrições para as empresas ao tentarem passar pelo estreito. Além da fiscalização rigorosa dos documentos apresentados, a nova autoridade implementou taxas que variam entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões por navio. Essas taxas são justificadas como pagamento pelos serviços especializados prestados em segurança, pilotagem e roteamento náutico.
A execução das novas diretrizes na área ficará a cargo da Marinha do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, que irá direcionar os navios autorizados para rotas específicas próximas à costa iraniana, especialmente entre as ilhas de Qeshm e Larak. Embarcações ligadas aos Estados Unidos e Israel não terão permissão para transitar pelo estreito sob esta nova regulamentação.
Ebrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, afirmou que essa iniciativa representa um sistema profissional para gerenciar o tráfego nas rotas designadas. O objetivo é garantir a segurança do comércio internacional ao coletar as taxas necessárias pelos serviços prestados. Vale destacar que essa medida institucionaliza um controle que já estava sendo exercido temporariamente desde o início deste ano, quando tensões geopolíticas levaram ao fechamento temporário da via e à alta nos preços internacionais do petróleo.
A posição do novo líder supremo Mojtaba Khamenei reforça a importância estratégica da gestão do estreito como uma alavanca para estabelecer uma nova ordem regional e garantir receitas financeiras ao Irã, sem interferência externa.
O anúncio surge em um contexto em que a comunidade internacional observa atentamente as negociações entre Teerã e o governo norte-americano, que resultaram na suspensão das operações anteriores de escolta naval na região. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos alertou que pagamentos feitos à nova entidade podem ser considerados como uma violação das sanções econômicas existentes contra o governo iraniano e o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica.
