No dia 15 de setembro, durante uma entrevista exibida pela TV Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfatizou que a gestão econômica do Brasil é sua prioridade máxima.
O presidente também abordou a importância de continuar investindo na qualidade de vida das famílias brasileiras. Ele mencionou a meta de alcançar um superávit primário em 2027, além de apresentar iniciativas voltadas para micro, pequenas e médias empresas, e programas destinados a mitigar o endividamento da população. Lula reafirmou sua expectativa de que o Brasil retorne ao grupo das oito maiores economias globais.
Compromisso com a dívida pública e o poder aquisitivo
Durante a conversa, Lula expressou sua atenção constante ao aumento da dívida pública e à necessidade de manter o controle sobre as finanças do governo. Contudo, destacou que é essencial promover o crescimento econômico sem implementar cortes que poderiam prejudicar as famílias e as empresas.
Nesse contexto, ele ressaltou a confiança que deposita nos pequenos empreendedores do país, para os quais lançou uma série de políticas através do programa Prospera MEI. Para ele, esses empresários são fundamentais para a economia nacional.
“Minha visão econômica é clara: concentrar muito dinheiro nas mãos de poucos gera pobreza; enquanto distribuir melhor esse recurso entre muitos resulta em riqueza. É por isso que valorizo tanto a microeconomia e o microcrédito, apostando fortemente no MEI e no pequeno empreendedor. Estamos promovendo a maior política de crédito já vista neste país, permitindo que as pessoas tenham acesso a valores variados para impulsionar seus negócios”, afirmou.
Leia mais: Economia avança com Lula e Índice de Confiança do Consumidor sobe 25,9 pontos em um mês
<pPara Lula, o motor do crescimento econômico brasileiro reside na microeconomia: “Fazer o dinheiro circular entre as pessoas é crucial. Se permanecer nas mãos de poucos, continuaremos enfrentando pobreza. Em 2014, consegui erradicar a fome; voltei ao cargo em um momento em que 33 milhões estavam novamente passando necessidade. Por isso, lido com muita seriedade a questão da dívida pública; não desejo vê-la crescer”, ponderou.
Ele reforçou seu compromisso com uma gestão fiscal responsável enquanto também prioriza investimentos em infraestrutura e condições melhores para os cidadãos.
“É preciso considerar que se uma dívida for contraída para financiar ativos produtivos como ferrovias ou hidrelétricas, pode ser justificável ter essa dívida”, esclareceu.
Superávit primário e reajuste no Bolsa Família
Questionado sobre possíveis aumentos no Bolsa Família, Lula respondeu que esse ajuste visa corrigir um erro significativo dos anos anteriores, pois os aumentos deveriam ter sido anuais e não acumulados agora. “Se há espaço fiscal para elevar os valores, por que não fizeram isso antes? Tomei a decisão de promover o aumento no Bolsa Família”, disse.
Ele mencionou ainda que seu governo planeja um superávit primário de 0,1% até 2027. Embora modesto, esse valor oferece uma margem fiscal necessária para implementar o aumento. O presidente recordou ter herdado um déficit primário equivalente a cerca de 2,4% do PIB quando assumiu em 2023 sob a administração anterior.
Ações contra o endividamento familiar e apoio ao setor empresarial
Lula apontou que parte significativa dos esforços do governo está voltada para restaurar o poder aquisitivo da população brasileira, lembrando que 78% da população estava endividada sob Jair Bolsonaro.
Para enfrentar essa situação crítica, foram lançadas três fases do programa Desenrola voltado à renegociação de dívidas. Ele citou que o Desenrola 3 está atualmente no Congresso Nacional aguardando aprovação e propõe que bancos vendam dívidas à União com descontos superiores a 90%.
“Estamos adquirindo as dívidas daqueles com pendências superiores a dois anos e até R$ 4 mil; estamos prevendo investir cerca de R$ 150 bilhões nessa compra. Se conseguirmos adquirir essas dívidas por apenas 5% do valor original, estaremos fazendo um grande favor aos cidadãos endividados deste país”, destacou.
Leia mais: Brasil cresce com Lula e volta ao top 8 das maiores economias em 2027
Lula também anunciou um benefício proposto de R$ 5 mil destinado aos MEIs para reinvestirem em seus negócios e mencionou a possibilidade de perdão das dívidas desses trabalhadores com a União, totalizando R$ 12,7 bilhões. Isso permitirá que eles regularizem suas situações financeiras e ampliem suas operações por meio da contratação de novos créditos.
“Este é um novo começo para reaquecer nossa economia e impulsionar os micros e pequenos empreendedores brasileiros sem comprometer nosso espaço fiscal”, avaliou.
Brasil entre as potências econômicas globais
Lula fez referência ao relatório do FMI que projeta o Brasil como a oitava maior economia mundial até 2027. Ele recordou seu início na presidência em 2003 quando o país ocupava apenas a décima segunda posição econômica global e enfrentava uma dívida externa significativa junto ao FMI.
Após oito anos no cargo, ele deixou a presidência com o Brasil classificado como a sétima maior economia do mundo e possuía reservas internacionais na ordem de US$ 270 bilhões após quitar suas obrigações externas.
“Ainda emprestei US$ 15 bilhões ao FMI após a crise financeira global. Agora estou novamente diante desse desafio: herdei uma economia classificada como décima segunda pelo governo anterior; hoje já estamos na décima posição e temos certeza que no próximo ano entraremos entre as oito maiores economias mundiais. O único caminho para reduzir déficits é promover crescimento econômico; não se trata de cortar recursos dos mais pobres”, finalizou o presidente.
