Relatórios das agências de inteligência dos Estados Unidos revelam que o programa nuclear iraniano permanece em grande parte inalterado, mesmo após os ataques realizados em outubro. Na ocasião, Donald Trump declarou ter “aniquilado” as capacidades nucleares do Irã, mas a recente guerra de agressão não parece ter impactado significativamente essa situação.
Informações obtidas por fontes da agência Reuters sugerem que o Irã ainda precisaria de um intervalo de nove meses a um ano para conseguir material suficiente para fabricar uma arma nuclear, caso optasse por essa trajetória.
Esse mesmo período já havia sido estimado por especialistas após os ataques de 2025, que atingiram instalações como Natanz, Fordow e Isfahan. Isso indica que a ofensiva mais recente não alterou substancialmente o cenário estratégico do país.
A análise das agências indica que uma parte considerável do programa nuclear iraniano continua intacta, em grande parte devido à dispersão das instalações e ao armazenamento de materiais em locais subterrâneos.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ainda não conseguiu localizar aproximadamente 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, que é considerado um ativo fundamental no programa nuclear do Irã.
Apesar dessas constatações, a administração Biden afirma que as operações militares tiveram um impacto significativo ao atingir a infraestrutura industrial de defesa do Irã e suas capacidades militares convencionais.
Autoridades norte-americanas sustentam que esses ataques dificultaram o progresso do programa nuclear ao enfraquecer as estruturas de apoio, embora admitam que não houve uma destruição total da infraestrutura nuclear existente.
A intenção de impedir que o Irã avance na construção de armas nucleares tem sido reiterada por membros do governo dos EUA como uma justificativa central para a guerra em curso.
No entanto, as avaliações das inteligências permanecem praticamente inalteradas, o que evidencia um descompasso entre a narrativa oficial da Casa Branca e as análises técnicas sobre os efeitos reais das operações militares realizadas.
Especialistas afirmam que a eficácia limitada dos ataques se deve, em parte, à própria estrutura descentralizada do programa nuclear iraniano, que conta com instalações fortificadas localizadas em profundidade.
Dessa forma, ações aéreas podem causar danos específicos; contudo, são insuficientes para erradicar a capacidade nuclear sem intervenções mais abrangentes e prolongadas, as quais poderiam acarretar riscos ainda maiores de escalada na região.
