No dia 7 de novembro, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e proprietário da plataforma Truth Social, fez uma declaração alarmante que intensificou a tensão entre seu país e o Irã. Em sua postagem, ele advertiu que “uma civilização inteira será eliminada esta noite, para nunca mais retornar” se Teerã não reabrir o Estreito de Ormuz até as 21h (horário de Brasília). A ameaça de destruir totalmente infraestruturas civis e industriais iranianas é considerada um crime de guerra evidente, com um prazo cada vez mais curto.
Ultimato imperialista e retórica apocalíptica
Trump foi contundente em suas palavras: “Eu não desejo que isso aconteça, mas é muito provável que aconteça”, afirmou, prevendo uma “mudança radical no governo” que traria “mentes mais inteligentes e menos radicais”. Mesmo antes do término do ultimato, ataques realizados pelos EUA e Israel atingiram instalações petroquímicas em Assaluyeh, Mahshahr e Marvdasht — que respondem por metade da produção de petróleo do Irã — além da ilha de Kharg, um ponto crucial na distribuição de petróleo. Horas antes do prazo final, Trump descreveu o momento como “um dos mais significativos da história”, após desconsiderar a importância do Estreito em relação aos EUA e prometer sua “completa demolição”.
O aumento das hostilidades neste 39º dia de conflito ocorre após bombardeios realizados por EUA e Israel em universidades, usinas de dessalinização e instalações petroquímicas, sob o justificativa de reabrir uma rota bloqueada pelo Irã que impôs taxas exorbitantes aos navios.
Alvos civis em risco: crime de guerra iminente
A proposta de destruir “todas as pontes e usinas elétricas” do Irã representa uma violação clara do direito internacional humanitário, atingindo infraestrutura vital para a sobrevivência da população civil — configurando um cerco com características genocidas. Trump já havia postado anteriormente no Domingo de Páscoa: “Terça-feira será tanto o Dia da Central Elétrica quanto o Dia da Ponte no Irã. Abram o F****** Estreito, seus malucos bastados, ou sofrerão as consequências – ASSISTAM! Louvado seja Alá”. Essa linguagem agressiva revela o caráter terrorista da ofensiva coordenada entre os EUA e Israel.
Uma nova série de bombardeios israelenses visou alvos estratégicos no Irã, incluindo ferrovias. A Sinagoga Rafi Niya, situada na área central de Teerã, também foi atingida. Segundo informações da agência estatal IRNA e líderes da comunidade judaica local, o templo sofreu danos significativos, com rolos da Torá e itens sagrados soterrados sob os escombros.
A resposta do governo iraniano foi imediata. O Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) declarou que cortará fornecimentos de energia aos Estados Unidos e seus aliados por “anos” caso civis sejam alvejados. O vice-chanceler Kazem Gharibabadi denunciou as iminentes “crimes de guerra”, enquanto o presidente Masoud Pezeshkian afirmou estar pronto para sacrificar sua vida pela nação. Ele mencionou a adesão de 14 milhões de voluntários iranianos — conforme registros oficiais das milícias populares Basij — que cercam usinas petroquímicas e elétricas como forma de proteção contra ataques aéreos. Teerã intensificou os lançamentos de mísseis contra Israel e outros alvos na região do Golfo, mantendo seu bloqueio ao mesmo tempo em que alertava sobre possíveis “respostas devastadoras” além das fronteiras. Embaixadas iranianas reagiram às ameaças com a expressão americana: “Get a grip”, traduzida livremente como “Caia na real”.
Mídia ocidental
Enquanto veículos como BBC e NYT caracterizam a retórica de Trump como um “excesso autoritário”, a Fox News elogia suas declarações como uma “advertência severa”. Al Jazeera destaca a rejeição iraniana às ameaças, evidenciando o viés pró-genocídio presentes em mídias como CNN, acusadas de ignorar os crimes perpetrados pelos EUA e Israel.
