Nesta sexta-feira, 22 de setembro, uma grande mobilização tomou conta das ruas de Havana, onde milhares de cubanos se reuniram em frente à Embaixada dos Estados Unidos e à Tribuna Antimperialista José Martí. O protesto foi uma resposta ao indiciamento do ex-presidente Raúl Castro pela Justiça dos EUA.
Centrais sindicais brasileiras também manifestaram apoio a Cuba, classificando a ação como uma nova ofensiva do imperialismo estadunidense contra a nação caribenha.
Cerca de 250 mil pessoas se fizeram presentes no ato organizado por diversas entidades estudantis, sindicais e sociais, que condenaram as acusações feitas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra Raúl Castro e outros quatro militares cubanos.
Entre os participantes do protesto estavam o presidente Miguel Díaz-Canel, o primeiro-ministro Manuel Marrero e outras figuras importantes do governo e do Partido Comunista de Cuba.
O evento foi marcado por cartazes e bandeiras da ilha, além de gritos contra o bloqueio econômico imposto pelos EUA. Durante a manifestação, Gerardo Hernández Nordelo, considerado herói nacional e coordenador dos Comitês de Defesa da Revolução, leu uma mensagem de Raúl Castro.
Na mensagem lida por Hernández, o ex-presidente expressou sua gratidão pela solidariedade do povo cubano e seus aliados internacionais, afirmando que continuará “marchando ao lado de nosso povo na defesa da Revolução”.
Hernández também acusou o governo dos EUA de distorcer eventos ocorridos em 1996, enfatizando que Cuba agiu em legítima defesa diante das repetidas incursões aéreas da organização Hermanos al Rescate. Ele destacou: “Cuba possui o direito inalienável à defesa e é nossa obrigação proteger a segurança dos cidadãos”.
O dirigente cubano ressaltou que os Estados Unidos carecem de autoridade moral para fazer julgamentos sobre qualquer país devido ao seu histórico de agressões contra Cuba ao longo das décadas. Ele ainda mencionou que Washington ignorou avisos enviados por Havana sobre violações aéreas entre 1994 e 1996.
Outro discurso relevante foi proferido pelo jovem jurista Rolando López Meriño, que descreveu o indiciamento contra Raúl Castro como “fraudulento e ilegítimo”, alegando que Washington estava tentando manipular fatos históricos bem documentados. Ele argumentou que os Estados Unidos não têm jurisdição sobre um incidente que ocorreu fora de seu território envolvendo cidadãos cubanos.
“A acusação contra nosso General de Exército Raúl Castro Ruz carece completamente de legitimidade e contraria o direito internacional”, afirmou López Meriño.
A manifestação também teve discursos emocionantes de familiares de vítimas de atentados atribuídos a grupos anticastristas apoiados pelos EUA. Betina Palenzuela Corcho, filha de uma funcionária cubana morta em um ataque na representação diplomática em Lisboa em 1976, denunciou a política agressiva histórica dos Estados Unidos contra Cuba. “Raúl é um homem de família que dedicou sua vida à defesa da soberania cubana”, declarou.
A imprensa local destacou que manifestações semelhantes ocorreram em várias outras províncias do país como forma de apoio à Revolução Cubana e a Raúl Castro.
Centrais brasileiras criticam ofensiva dos EUA contra Cuba
No Brasil, organizações como CTB, CUT, Força Sindical, UGT, CSB e Nova Central emitiram uma nota conjunta expressando solidariedade a Cuba. Elas afirmaram que a ilha está enfrentando mais uma infame ofensiva do imperialismo estadunidense fundamentada em acusações falsas contra Raúl Castro.
As centrais sindicais reiteraram que os eventos de 1996 ocorreram em um contexto marcado por constantes violações do espaço aéreo cubano por aeronaves operadas pela Hermanos al Rescate, grupo baseado em Miami. Foram registradas mais de 25 violações significativas entre 1994 e 1996.
Além disso, elas afirmaram que os Estados Unidos tentam criminalizar ações legítimas de autodefesa respaldadas pelo Direito Internacional e pela Carta das Nações Unidas. O texto destaca ainda o impacto devastador do bloqueio econômico sobre Cuba e como uma nova escalada nas tensões poderia piorar ainda mais a crise humanitária enfrentada pela população da ilha, especialmente entre os trabalhadores menos favorecidos.
A nota finaliza expressando a solidariedade das centrais sindicais brasileiras ao governo cubano e ao herói da Revolução Socialista Raúl Castro, repudiando as provocações e ameaças oriundas da extrema direita nos Estados Unidos.
