Investigação na Europa apura suposta lavagem de US$ 1,6 milhão ligada ao vice de Tarcísio Ramuth

O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), e sua esposa, Vanessa Ramuth, estão sendo investigados na Justiça de Andorra por suspeita de lavagem de dinheiro, classificada no país como “branqueamento de capitais”. A investigação foi revelada pelo portal Metrópoles.

De acordo com documentos enviados ao Brasil por meio de cooperação jurídica internacional, o casal teria movimentado mais de US$ 1,6 milhão (cerca de R$ 8,3 milhões) em uma conta no AndBank, entre os anos de 2009 e 2011. Em maio de 2023, a Justiça andorrana determinou o bloqueio de US$ 1,4 milhão vinculados à conta.

A investigação ocorre em um momento politicamente delicado, já que Ramuth é considerado um possível candidato a permanecer como vice na chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2026. Nomes como o presidente da Alesp, André do Prado (PL), também estão disputando espaço na articulação política.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se recusou a responder a questionamentos sobre a investigação de seu vice em uma entrevista após um evento no último sábado (21). Tarcísio respondeu apenas a uma pergunta de veículo, não atendendo à Folha de S. Paulo, que havia explicado que questionaria sobre o assunto.

Offshore no Panamá e origem dos recursos

Segundo a Unidade de Inteligência Financeira de Andorra, os valores teriam sido transferidos por meio da Visio Corporation Ltd S.A., uma empresa aberta no Panamá em nome de Vanessa Ramuth. Tanto a offshore quanto a conta no AndBank foram constituídas na mesma data, em outubro de 2009.

Os investigadores relatam que as movimentações foram impulsionadas por transferências internacionais “ordenadas por sociedades instrumentais das quais não existe informação disponível”, provenientes de países como Estados Unidos e Luxemburgo.

Nos autos, a magistrada Azahara Cascales Ruiz mencionou que a conta surgiu no contexto de uma investigação mais ampla sobre uma “trama de branqueamento de capitais”.

STJ e implicações políticas

O caso foi encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça, após um pedido formal de cooperação de Andorra ao Ministério da Justiça brasileiro para localizar e ouvir o casal.

Apesar de não haver uma denúncia formal no momento, o bloqueio de ativos e as questões internacionais adicionam uma dimensão jurídica e política à sucessão em São Paulo, especialmente em um momento em que a integridade fiscal e a transparência patrimonial estão ganhando destaque no debate público.

Defesa: recursos declarados e anteriores à vida política

Ramuth negou qualquer irregularidade em entrevista à imprensa. Ele afirmou que não há acusação formal contra ele ou sua esposa e que a investigação está relacionada ao banco. Segundo o vice-governador, todos os recursos têm origem lícita, foram declarados à Receita Federal e são anteriores ao seu ingresso na vida pública.

Ramuth também destacou que a conta está no nome de sua esposa e que as movimentações ocorreram entre 2009 e 2011, antes de sua carreira política. Ele foi prefeito de São José dos Campos entre 2017 e 2022 e eleito vice-governador em 2022.

O governo de São Paulo informou que não há nenhum processo aberto no Brasil e que todas as informações foram prestadas às autoridades estrangeiras.

Andorra: de paraíso fiscal à cooperação

Com uma população de aproximadamente 86 mil habitantes, Andorra era associada a regimes de baixa transparência bancária por décadas. A partir de 2016, o país aderiu a acordos internacionais de troca automática de informações financeiras e combate à evasão fiscal.

Mesmo com as reformas, a tributação reduzida, de cerca de 10% sobre os rendimentos, ainda torna o principado um destino atrativo para estruturas de planejamento patrimonial.

O desfecho da investigação dependerá da conclusão das diligências em curso em Andorra. Até lá, o caso permanece em uma fase inicial, juridicamente indefinida, mas politicamente relevante.

By Aconteceu de Fato

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