No dia 17 de abril de 2026, o campo progressista brasileiro recorda uma data significativa: o décimo aniversário da votação na Câmara dos Deputados que deu início ao processo de impeachment da então presidenta Dilma Rousseff. Naquela ocasião, 367 deputados aprovaram, sem evidência de crime de responsabilidade, um movimento que se configurou como um golpe parlamentar, ocasionando uma grave ruptura na democracia do país e desencadeando uma sequência de retrocessos econômicos e sociais.
Em virtude da agenda internacional do presidente Lula, que participa da 1ª Cúpula Brasil-Espanha com o presidente Pedro Sánchez, não houve manifestações em massa em Brasília. Assim, as mobilizações se concentraram nas redes sociais e em artigos analíticos que relembram a verdade sobre as alegações das “pedaladas fiscais”.
A resistência nas redes sociais
O PCdoB utilizou suas plataformas digitais para rotular a sessão ocorrida em 2016 como “vergonhosa”. Em sua publicação, disse: “Hoje, 17 de abril, celebramos dez anos da votação mais vergonhosa da história recente do Brasil. Foi neste dia que a Câmara iniciou o processo de golpe contra a presidenta @DilmaRousseff. Hoje, reafirmamos: não existem atalhos que substituam a vontade popular. Viva a democracia!”
O Instituto Lula (@inst_lula) também se manifestou no X: “10 anos do golpe! Em 17 de abril de 2016, a Câmara aprovou o impeachment da presidenta Dilma. O tempo provou sua inocência e deixou claro que o afastamento foi um golpe contra uma mulher íntegra.”
José Guimarães (PT-CE), recém-nomeado ministro da Secretaria de Relações Institucionais e líder do governo na Câmara dos Deputados, expressou sua opinião no X (@guimaraes13PT): “10 anos do golpe contra @dilmabr: um ato vingativo que feriu a democracia.” Por outro lado, o senador Humberto Costa (PT-PE) publicou um vídeo chamado “O GOLPE EM TRÊS ATOS”, relembrando o “ataque à Constituição que foi desmascarado pela História”.
Em entrevista concedida na última terça-feira (14) para os sites Brasil 247, DCM e Revista Fórum, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se posicionou sobre o ocorrido. Ele afirmou: “Elegemos uma mulher como Dilma e logo após tivemos um golpe de Estado que nos entregou a um fascista”. Para Lula, o impeachment de 2016 foi um golpe político que facilitou a ascensão do bolsonarismo no Brasil.
A reparação jurídica
A base técnica para as reivindicações atuais provém da decisão unânime do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), datada de agosto de 2023. O tribunal decidiu pela manutenção do arquivamento definitivo da ação por improbidade contra Dilma referente às supostas “pedaladas fiscais”, com votos favoráveis em três ocasiões. A Justiça confirmou que as manobras contábeis nunca foram ilícitas. Com isso, fica evidente que não se trata apenas de uma narrativa: o golpe foi real e as acusações técnicas foram apenas pretextos para uma manobra política.
A avaliação do tempo
Passados dez anos, os papéis se inverteram. Dilma Rousseff agora desfruta de prestígio internacional como presidenta reeleita do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS, tornando-se um símbolo de integridade e resistência.
Em contrapartida, muitos dos responsáveis por seu impeachment enfrentam atualmente sérios problemas legais ou se encontram marginalizados. Figuras proeminentes daquela época, como Eduardo Cunha (condenado em múltiplos processos) e Romero Jucá, tornaram-se ícones da degradação política. Além disso, a continuidade desse ciclo golpista culminou nos eventos ocorridos em 8 de janeiro de 2023, cujas investigações pelo STF visaram ex-parlamentares e aliados próximos ao governo Temer que tentaram novamente romper com a ordem democrática.
Os discursos proferidos por Dilma em 2016 soam hoje como profecias. Durante seu depoimento ao Senado em 29 de agosto daquele ano, ela declarou: “Este processo de impeachment não possui legitimidade. Não cometi nenhuma infração à Constituição”. Após seu afastamento definitivo, previu: “Não gostaria de estar no lugar daqueles que se consideram vencedores. A História será implacável com eles.”
Efeitos: destruição econômica deixada para trás
A saída de Dilma abriu espaço para a imposição de uma agenda rejeitada nas eleições de 2014. A Reforma Trabalhista promovida por Michel Temer consolidou a precarização das relações laborais; o Teto dos Gastos resultou na estagnação dos investimentos em saúde e educação; enquanto a administração pós-golpe estabeleceu a Paridade dos Preços Internacionais na Petrobras, elevando os preços dos combustíveis.
Nesse contexto destaca-se a venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), situada na Bahia, para o fundo árabe Mubadala. É importante ressaltar que esse movimento contribuiu para criar vulnerabilidades energéticas significativas para o Brasil atualmente diante das instabilidades geopolíticas globais; tudo isso teve origem no golpe contra Dilma Rousseff e na entrega estratégica dos ativos nacionais.
