A primeira pesquisa de opinião realizada após a divulgação das mensagens entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à presidência, e Daniel Vorcaro, proprietário do banco Master, foi divulgada nesta terça-feira (19) pela AtlasIntel/Bloomberg. Os resultados indicam um panorama desfavorável para a extrema direita, com muitos entrevistados cientes do vazamento e expressando desapontamento com o ocorrido.
Os dados da pesquisa revelam que 95% dos participantes tomaram conhecimento das mensagens divulgadas na semana passada pelo Intercept Brasil. Quase 94% afirmaram ter escutado o áudio em que Flávio solicita R$ 134 milhões de Vorcaro para, supostamente, financiar a cinebiografia de seu pai, Jair Bolsonaro (PL).
Entre os que estavam informados sobre a situação, 65,2% disseram que não ficaram surpresos com as informações, enquanto 20,5% relataram uma leve surpresa e 14,3% indicaram ter ficado bastante surpresos. Essa alta porcentagem de entrevistados que não se impressionaram pode sugerir que a postura do senador era algo esperado, considerando sua trajetória marcada por polêmicas como rachadinhas e relações com milícias.
Efeitos na candidatura
Um dos pontos mais significativos levantados pela pesquisa é o efeito sobre a candidatura presidencial de Flávio. Para 45,1% dos entrevistados, o episódio enfraqueceu consideravelmente sua campanha; 19% acreditam que houve um leve enfraquecimento; enquanto 15% afirmaram que não houve impacto. Apenas 13,4% pensam que esse caso fortaleceu a candidatura e 7,3% não souberam opinar.
A pesquisa também questionou os participantes sobre se suas intenções de voto foram afetadas após conhecerem as conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
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Nesse aspecto, 47,1% dos respondentes afirmaram que “já não votariam nele de qualquer forma”, enquanto 21% disseram que isso não altera sua disposição de voto. Outros 13,7% mostraram-se “muito mais dispostos a votar nele” e 9,4%, “muito menos dispostos”. Além disso, apenas 5,1% se sentiram “mais dispostos” agora e 3,6%, “menos dispostos”. Apesar desse quadro adverso, 84% acreditam que a candidatura deve continuar em frente, contra apenas 12,6% que têm uma opinião contrária.
Natureza do vazamento
No que diz respeito à natureza do vazamento das mensagens, uma ampla maioria de 55% considera que se trata de uma “evidência obtida em uma investigação legítima sobre possíveis irregularidades”, enquanto 33% veem como uma tentativa meramente política de prejudicar Flávio Bolsonaro; já 9,7% acreditam em ambas as possibilidades.
Em relação ao conteúdo da conversa entre Flávio e Vorcaro, 51,7% interpretam como “evidência de envolvimento direto de Flávio no escândalo do Master”, enquanto 33% enxergam isso como uma “tentativa legítima de obter apoio financeiro para o filme sobre Jair Bolsonaro”. Outros 12% acreditam que retrata apenas uma “relação próxima entre Flávio e o dono do banco Master sem evidências de ilegalidade”. Essas últimas interpretações têm sido utilizadas por Flávio e seus apoiadores para minimizar os efeitos negativos da situação.
Percepção sobre o bolsonarismo
Outro aspecto importante abordado pela pesquisa é a percepção pública acerca da relação entre o escândalo do Master e figuras políticas. Apesar dos esforços do bolsonarismo para associar o caso a Lula e seus aliados, a realidade mostra cada vez mais um envolvimento da direita e extrema direita em fraudes — fato que está se tornando mais claro para a população.
Quando questionados sobre qual grupo político está mais implicado no esquema fraudulento do Master, 43% apontaram “principalmente os aliados de Bolsonaro”, um aumento em relação aos 28% registrados em março. Já outros 32,8% atribuíram a responsabilidade principalmente aos aliados de Lula — queda em comparação aos 39% da pesquisa anterior. Ademais, 16% acreditam que todos estão envolvidos e apenas 7% mencionaram o centrão.
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A análise demográfica dos dados também merece destaque. O grupo que atribui predominantemente o envolvimento no escândalo aos aliados de Bolsonaro é composto majoritariamente por mulheres (46,6%), pessoas oriundas do Nordeste (52,8%), agnósticos/ateus (67%) e católicos (49,7%). Além disso, há uma concentração significativa entre indivíduos com idade entre 45 e 59 anos (50%), aqueles com ensino fundamental (46%) e famílias com renda mensal superior a R$10 mil (48%) ou entre R$0 a R$2 mil (47%).
Por outro lado, entre os que atribuem maior responsabilidade aos aliados de Lula estão incluídos predominantemente homens (29,5%), pessoas do Centro-Oeste (42,5%), evangélicos (51,2%), indivíduos na faixa etária de 35 a 44 anos (39,5%), aqueles com renda familiar mensal entre R$5 mil e R$10 mil (42.8%) e aqueles com ensino médio completo (34.8%).
Conforme informado pelo instituto responsável pela pesquisa, este levantamento foi realizado com um total de 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio através de recrutamento orgânico durante navegações na web em áreas geolocalizadas em diversos dispositivos móveis. A margem de confiança é estimada em 95%.
