Tarcísio se opõe à diminuição da jornada de trabalho e apoia os empresários

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, manifestou apoio ao setor empresarial ao criticar uma proposta que propõe a eliminação da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho. Durante a abertura da 40ª APAS Show, realizada nesta segunda-feira (18) no Expo Center Norte, o governador se alinhou aos interesses dos empresários, considerando a proposta precipitada por não apresentar compensações financeiras para os empregadores. Embora tenha evitado uma oposição direta ao princípio da proposta para não se contrapor à popularidade da ideia, Tarcísio centrou sua argumentação nos efeitos negativos para o setor produtivo, afirmando que tal conquista trabalhista poderia levar os trabalhadores à informalidade. Essa posição desconsidera que o Comércio já gerou aproximadamente 300 mil novas ações trabalhistas em 2025.

Aproximadamente 70% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1

A declaração do governador surge em um contexto de mobilização social significativa. O governo federal apresentou ao Congresso um Projeto de Lei com caráter de urgência constitucional que visa abolir a escala de seis dias trabalhados e um dia de descanso, além de diminuir a carga semanal de 44 para 40 horas, mantendo os salários inalterados e garantindo dois dias de folga remunerada. Enquanto uma pesquisa da Quaest revela que 68% da população apoia a extinção da escala 6×1 (em contraste com 22% que se opõem), setores da direita estão buscando obstáculos no parlamento. Uma emenda apresentada pelo deputado Tião Medeiros (PP-PR), apoiada por 171 parlamentares de partidos como PP, MDB, PL, Republicanos e PSD, tenta desacelerar a urgência do projeto ao sugerir uma transição de dez anos e a manutenção das 44 horas para atividades essenciais.

Tarcísio ressalta que é inútil “cuidar do trabalhador sem desonerar o patrão”

<pEm seu discurso durante o evento, Tarcísio foi ovacionado por empresários ao defender abertamente os interesses patronais. Ele argumentou que não é possível cuidar do trabalhador sem também considerar as necessidades do empregador e questionou quem estaria promovendo a desoneração das empresas. Em um tom quase paternalista, afirmou que todos desejam que os trabalhadores tenham mais tempo livre, mas alertou contra enganos nessa questão. Na visão do governador, uma redução na jornada sem redução dos custos operacionais das empresas resultará em perda do poder aquisitivo, levando os cidadãos a buscar trabalho informal para garantir sua sobrevivência.

Tarcísio ainda criticou os encargos trabalhistas existentes, transferindo a responsabilidade pelos baixos salários à legislação vigente. Ele citou um exemplo de um empresário que gostaria de pagar R$6 mil a um funcionário, mas se vê impossibilitado devido aos altos encargos financeiros. Ele elogiou redes que optam voluntariamente pela escala 5×2 — preservando a carga horária total — e defendeu um debate estendido sobre o tema, reiterando a narrativa fragil sobre como mais folgas poderiam resultar em desemprego.

A conferência evidenciou divergências nas opiniões presentes no evento com as participações do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Alckmin enfrentou pressões do setor empresarial e defendeu o diálogo ao relatar o caso de uma trabalhadora que lhe pediu pelo fim da escala 6×1 devido à exaustão e dificuldade em conciliar sua vida pessoal. Por outro lado, Ricardo Nunes adotou uma postura similar à de Tarcísio ao alertar sobre as potenciais consequências financeiras sobre contratos públicos e concessões municipais.

O presidente da APAS, Erlon Ortegas, propôs uma flexibilização significativa nos contratos laborais, sugerindo modalidades como trabalho horista e diarista com o intuito de promover o empreendedorismo entre os jovens. Na mesma linha, Ivo Dall’Acqua, presidente da Fecomércio-SP, declarou que reduzir a jornada sem aumento na produtividade compromete o crescimento econômico. O debate continua na comissão especial da Câmara dos Deputados sob relatoria do deputado Leo Prates (Republicanos-BA).

By Aconteceu de Fato

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